Transição Capilar

10 coisas que transitetes NÃO devem fazer

Esse é um post especial para as transitetes que estão nessa jornada longa, linda, e um pouquinho sofrida de volta aos cabelos naturais!

10. Lavar os cabelos todos os dias

Quando eu entrei na transição, eu lavava meus cabelos todos os dias pra ver se a progressiva saía. As lavagens ajudam a retirar uma parte do produto, mas como tudo nessa vida bandida, existem limites. O produto não sai completamente dos fios, e depois que essa parte possível de ser retirada já foi embora, não adianta engolir anti resíduos ou ir pro mar todos os dias. O máximo que você vai conseguir é ressecar os seus lindos cachinhos que estão nascendo. Também é normal quando fazemos o BC, lavarmos os fios com muita frequência. Acho que já notaram que os cachinhos ficam mucho mais lindos nos dias que lavamos, não é? Mas não façam isso, transitetes queridas, porque conforme o tempo passa, a gente aprende a ter bons days after e lavagens acabam por ressecar os fios. A Mari já explicou isso melhor.


8. Preocupar-se com o volume, frizz e altura “duzcabelo”

transitetes
Sabe o que a gente faz quando o cabelo tá incontrolável? Come um cupcake. E tira fotos.

Eu gosto muito de bater nessa tecla porque é preciso, meus amigos e minhas amigas. Cabelo crespo e cacheado têm volume, frizz e fica alto mesmo. Altão. Então aceita que dói menos. Não dá pra controlar algo que é incontrolável. A questão de um milhão de reais é: por que essas características todas são consideradas feias? Ahá, eu tenho a resposta. Porque segundo algumas as más línguas da sociedade, cabelos cacheados e crespos só são bonitos quando têm as características do liso, ou seja: lindos cachos controlados, sem frizz, que caem calmamente pelas costas em belas e suaves ondulações. Desculpa, mas não é assim que meu cabelo acorda. E ele não deixa de ser lindo por isso. Algumas pessoas até diriam que esses padrões de cachos são bem racistas. Agora vamos ao próximo item.


8. Deixar de ver “Hair”

Hair é um filme, adaptado de um espetáculo musical, obrigatório para todas as pessoas que desejam libertar suas molinhas. Se você ainda não viu, veja imediatamente e entenderá o porquê: é sobre todas as tentativas de se quebrar com as repressões de classe, raciais, religiosas, sexuais. Apesar de se ambientar nos anos 60, nós transitetes sabemos, melhor que ninguém, que a temática é muito atual. O nome do filme também não é atoa, uma vez que esse grito de liberdade se vê expresso nos cabelos das personagens.


7.  Condenar quem faz alisamentos

Moças e moços, esse item é muito importante. Quando a gente resolve assumir os cabelos naturais, nós encontramos muitas forças negativas, muitas pessoas que falam mal das nossas molinhas e não vemos representatividade na TV e nem nas publicidades. Em um mundo de extrema valorização dos lisos, é normal e compreensivo que algumas pessoas censurem os lisos como forma de reação. Mas coleguinhas, não façamos isso. Nós queremos que TODOS os cabelos sejam admirados e entendidos na sua própria beleza, não queremos nos livrar de um padrão chato e criar outro, não é? Além disso, temos o dever (SIM!) de respeitar as decisões das pessoas. O máximo que podemos fazer, é, tendo em vista nossos valores, não encorajar e alertar sobre os riscos para a saúde, mas quanto à estética, as pessoas têm liberdade de deixar os cabelos como querem. Além disso, todos os cabelos são lindos e maravilhosos.


6.  Deixar de se divertir

Esse item é importante-para-baralho, queridas pessoas. Quando a gente entra na transição, nossa auto estima fica muito abalada e isso é normal. Precisamos de um tempinho para aceitar nossos cachos como são, e até lá, você se sente o cão chupando manga. Nessa época eu ficava super retraída, confesso, não queria sair de casa. Mas saía do mesmo jeito, de cabeça levantada. Não deixe de ir pra balada, shopping, caminhar, sair de casa e fazer as coisas que gosta. Vá e se divirta bastante porque essa fase nos ensina que nós não precisamos nos esconder atrás dos cabelos.


5. Querer os cachos da atriz X ou do Fulaninho

Nosso cabelo não tem que ser assim pra ser bonito. Naturalidade reina. Beijos

Apesar da pouca (ou quase nenhuma) representatividade, de vez em nunca (pouco dramática) aparece alguém com um cabelo cacheado de babar. É o que rolou com a Taylor Swift, por exemplo. Lembro que lá pros doze anos (ou treze, ou quatorze), naquela maldita crise de identidade, que eu odiava meu cabelo, apareceu uma matéria numa revista teen que me encheu de esperanças: o cabelo cacheado da Taylor. Basicamente, ela defendia a identidade cacheada, mas a matéria ensinava maneiras e truques com o babyliss pra ter os cachos iguais aos dela. Do que adiantou a matéria? Eu não consegui ter os cachos da Taylor (óbvio), e não aprendi a gostar dos meus. Não gente! Pode parar. A gente tem que amar os cachos que tem, sejam mais abertos ou fechadinhos, mais volumosos, com frizz ou menos. São todos lindos e acabou. Eu não sou a Taylor Swift, e nem quero ser.


4. Virar escravo de cronograma capilar e/ou texturizações

Fala sério se eu parei de ser escrava de chapinha e progressiva pra virar escrava de cronograma capilar, né? Me respondam, qual é a vantagem de ficar matando e morrendo pra texturizar todo dia, tratar 3x por semana e etc? Desculpem, mas eu não tenho paciência. O cronograma é legal quando seu cabelo tá bem danificado, e eu hidrato e nutro o meu. Mas não faço disso a meta da minha vida, nem me obrigo a cuidar do cabelo religiosamente. Não façam por obrigação, façam porque é interessante, se tiver tempo. Se texturização e cronograma virarem motivo de estresse, você só está trocando o sujo pelo mal lavado, lamento informar. É uma boa reflexão.


3. Transitetes não podem deixar de praticar a sororidade

A sororidade é um princípio muito bonito usado especificamente para o movimento feminista, que significa “irmandade entre mulheres“. Mas estourando essa bolha, sugiro a irmandade entre [email protected] Esse princípio pode ser aplicado quando você ajuda aquela pessoa que resolveu entrar na transição, ou elogia os cacheados e cacheadas nas ruas (eu faço isso sempre) e até quando utiliza os espaços do seu dia-à-dia para desconstruir o preconceito. A sororidade parte daquela velha ideia de que juntos somos mais. <3


2. Aguentar as críticas [email protected]

Eu não acho que nós temos que agir com grosseria gratuitamente com as pessoas, nem se fechar para todos os tipos de crítica. No entanto, quando se trata do meu corpo, e das decisões sobre o MEU cabelo, quem fala bosta vai ouvir bosta. Eu só lamento. As pessoas não têm domínio sobre mim, e o que eu faço com meu cabelo é problema meu. Assim que cortei meu cabelo, em um mini BC, um familiar me disse que ia ficar “muito alto”. Eu respondi: “Que coisa, né? Porque é assim que eu gosto”. Um outro parente disse que tinha assustado com minha  foto no facebook. Valha-me, Deus! E eu lá só obrigada a ouvir desaforo calada? E se te chamarem de bruxa ou bruxo por causa do fuá, lança logo uma maldição e sai voando na vassoura. Eu sou bruxa mesmo, não tive aulas de Defesa contra artes das trevas em Hogwarts atoa. Se quiser mandar maldição imperdoável em mim, saibam que vão levar Expeliarmus de volta! :-)


1. Não acompanhar o Cacheia!

<3

Esse é, de longe, o maior crime de todos. É óbvio que eu sou suspeita pra falar, mas existe algum blog que explore tão bem o universo crespo e cacheado?

 

Transitetes de todo o mundo, uni-vos!

You may also like