Se meu cabelo falasse, talvez tivesse reclamado por ter sido puxado, esticado e agredido por tanto tempo. Tudo começou quando eu tinha aproximadamente nove anos. Me lembro ficar sentada na cadeira por horas, segurando as orelhas pra não serem fritadas pela prancha também. Mas nem sempre minha pele saía ilesa. Vez em quando ganhava pequenas queimaduras na testa, na nuca e na pontinha das orelhas. Aí eu apertava os olhos e torcia para aquilo acabar logo. Quando tudo terminava, lá estava meu cabelão. O volume persistia, mas o balanço já era o suficiente para me deixar feliz da vida.

Primeiros alisamentos
Primeiros alisamentos.

Depois vieram as químicas de transformação. O cabelo até podia estar relaxado, mas eu não. Bastavam dois meses para que a raiz voltasse a crescer e exigisse um novo tratamento. Ai se meu cabelo falasse! Certamente teria gritado quando tive meu primeiro corte químico.

Durante muito tempo convivi com o ressecamento, a quebra dos fios e um terrível estado de estagnação do crescimento. “Seu cabelo não cresce”, e eu fui acreditando nisso. E adivinha? Depois de tantos anos usando aquela gama de produtos químicos, não restou balanço nenhum. “Seu cabelo está espigado”, me diziam. E eu fui percebendo isso.

Em algum momento, cheguei a sonhar com um cabelo comprido mas pra dizer a verdade, meu cabelo já não passava do ombro. E assim, apesar das tentativas de usar franja lateral, fazer luzes, tonalizar ou empreender qualquer tentativa de mudança, meu cabelo não respondia, não se movia, estava exausto. E não tinha beleza nenhuma naquilo.

Por fim, assistindo vídeos de uma blogueira no Youtube surgiu uma pontinha de esperança: eu havia descoberto a transição capilar. Foram tardes e tardes devorando todas as informações possíveis sobre o processo. Mais algumas dedicadas aos cuidados que enfim retomei. Os novos fios pretíssimos e enrolados se destacavam em relação aos outros já finos e sem vida. Cada centímetro de crescimento era uma surpresa para alguém que nem se lembrava mais como era o próprio cabelo.

transiçaoebigchop
Transição e big chop

Coque, trança e twist foram meus primeiros colegas na transição. Mas minha melhor amiga mesmo (quem diria!) foi a tesoura. Em Junho de 2013 me livrei definitivamente das partes alisadas. Com paciência, fui aprendendo a cuidar dos fios. E então finalmente meu cabelo falou! Vivo, cheio de movimento. Onde quer que eu vá, ele fala por si só. Minhas raízes já não estão escondidas. Meu cabelo tem voz e muitas histórias pra contar …

transiçao capilar

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Oi Meninas! Tudo bem? Meu nome é Maressa, tenho 20 anos, sou baiana, e estudante de Ciências Sociais. Essa é minha primeira postagem por aqui. Estou muito feliz por participar do Cacheia e espero trazer muitas dicas e boas discussões para o blog.  Em 2015 faço dois anos de cabelo natural. O post de hoje conta um pouco desse processo. Nas imagens acima dá pra ver as etapas pelas quais eu passei. Ainda não tenho fotos recentes mas assim que tiver, mostro pra vocês meus cachinhos chocolate acobreados. Nas próximas postagens vou falar um pouquinho sobre os desafios da transição que com toda certeza vão MUITO além do corte. Espero também conseguir tirar algumas dúvidas que apareceram nos comentários. Até lá!

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