Cacho de Criança

Como incentivar a aceitação do cabelo natural em crianças

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Tenho certeza que muitxs de nós nos lembramos da época traumática de escola, das piadinhas com nossos cabelos, da falta de representação. A Lari já escreveu sobre a importância de incentivar a aceitação do cabelo natural das crianças, porém, partindo pro plano prático, como incentivar a aceitação do cabelo natural em crianças? Apesar de não ter filhotes, crianças, ou não conviva diretamente com educação dos pequerruchos, entendo que é sempre legal emponderar as crianças desde cedo para que se sintam confiantes para usar os cabelinhos naturais.

1. Naturalize-se você mesma/mesmo

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Não adianta nada repetir o quanto o cabelo da criança é lindo, se você não aceita e samba dyvando na cara da sociedade com o teu próprio cabelo. O primeiro passo, e talvez o mais importante, é se naturalizar. Exemplos transmitem muito mais força do que palavras e, por vezes, crianças esperam que adultos tenham comportamentos coerentes. Se você disser pros pequenos comerem cenouras quando você não come, não vai adiantar.  É exatamente a mesma coisa com os nossos cachinhos!

 


2. Compre brinquedos parecidos com ele/ela

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É hard se achar bonita ou interessante quando todos os nossos brinquedos têm bonecas lisas, loiras, olhos azuis. Tá aí a importância de se comprar brinquedos com estética parecida com a da criança, pois a partir disso, você constrói uma identidade em que a criança, além de se aceitar como padrão, também se vê tão linda quanto a boneca que está brincando. Além dos cabelos, há também uma discussão aprofundada sobre o significado político de uma boneca negra. Recomendo fortemente que leiam!


3. Cuidado com o vocabulário

Quando somos crianças e estamos sendo educados e socializados, internalizamos o que os adultos falam conosco. É de fundamental importância que não utilize palavras como “ruim”, “fuá”, ou “sarará” para se referir aos cabelos dos pequenos, mesmo que de brincadeira! É natural que pessoas de fora não tenham o mesmo cuidado, mas o objetivo aqui é torná-los fortes para enfrentar essas adversidades!  Você pode até adotar apelidos carinhosos, como leãozinho, e elogiar sempre que puder para torná-lxs confiantes da própria beleza.


4. Deixe a criança livre para explorar e conhecer o próprio cabelo

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Quando eu era mais novinha, adorava brincar e deixar o cabelão todo pro alto. Às vezes ainda fico brincando com os cachinhos, e recebo umas brincadeiras em casa do tipo “que susto!”. Ok, eu cresci e posso rir disso e continuar com meu hair grandão e volumoso. Porém, isso pode tornar uma criança insegura.

Também muitas pessoas ficam traumatizadas com a imagem de pentear um cabelo crespo (porque dói se não pentear certo!). Então cuide com muito carinho, seguindo as dicas de adultos daqui do blog mesmo. Até os seis anos, precisam de quase que total assistência dos pais para cuidarem dos cachinhos. Mas não force esse momento, e mostre que cuidar do cabelo pode ser um momento legal de relaxamento. Depois dessa idade, deixe produtinhos baratos acessíveis para que testem e aprender a cuidar do cabelo do próprio jeitinho. E não fique na ânsia de deixá-los “arrumados”, ou prender o cabelo, fazer tranças e penteados complexos. Deixe que elxs descubram o cabelinhos, deixem que sejam livres até para escolher como o cabelo vai ficar.


5. Procure programas de TV e entretenimento onde há representatividade

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A regra do brinquedo também vale pro que as crianças assistem ou leem! Não conheço ainda esse tipo de entretenimento, porém estou pesquisando para expandir esta lista (e sempre aceito sugestões)!

Algumas dicas:

– Zack e Quack
– Milly e Molly
– Super Why: a Princesa Ervilha
– A Dr Brinquedos
– SOS Fada Manu

Livros:

Menina bonita com laço de fita (Ana Maria Machado, Ática, 2000)
Os Mil Cabelos de Ritinha” (Paloma Monteiro e Daniel Gnatalli)
Dandara, seus cachos e caracóis (Maíra Suertegaray e Carla Pilla)
Princesa Violeta (autora: Veralindá Ménezes)
O menino marrom (Ziraldo)
Pretinha de Neve e os sete gigantes (Rubem Filho, Paulinas)
Tatá e Ritinha em Cabelo Ruim!? Como assim? (Neusa Baptista Pinto, Tanta Tinta Editora)
Betina (Nilma Lino Gomes)

Filmes:

– Kiriku e a feiticeira
– A princesa e o sapo
– Cada um na sua casa

Mais sugestões no post: Materiais para trabalhar a questão étnico-racial com as crianças


6. Não engula desaforos: ensinem as crianças a se defender!

Nós não somos obrigados a levar brincadeiras numa boa. Especialmente brincadeiras que machucam. Não permitam que suas crianças sejam discriminadas na escola, ou por vizinhos, não aceite piadinhas maldosas.


Espero que este post tenha ajudado a todxs que convivam com crianças crespas e cacheadas! Fortalecer a confiança dos pequenos é essencial. Lembrando que o debate do cabelo não se descola do debate do racismo, está bem pessoal?

Beijocas encaracoladas e até mais,

Veja também:

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