4 tipos de frizz e como tratá-los

O frizz é a reclamação de muitas crespas, cacheadas e onduladas. Mas você sabia que existem muitas causas para o aparecimento de frizz? No post de hoje vamos falar sobre algumas delas, mas antes vale lembrar que a gente não tem cabelo de boneca e que o frizz faz parte da nossa rotina. A intenção desse post não é criar alarde e nem fazer ninguém acreditar que é possível reduzir o frizz a zero. Por outro lado, como conhecimento não ocupa espaço, é sempre bom saber mais sobre nosso cabelo natural para cuidar cada vez melhor das madeixas. Sem mais delongas, vamos aos tipos de frizz!

Tipos de frizz

1.Frizz de crescimento  

Ao longo da vida, nosso cabelo passa por diferentes fases. Em condições normais, a maior parte dos fios está na fase anágena, ou seja, em fase de crescimento. Alguns estudos chegam a mencionar que em indivíduos normais 83% a 90% das hastes estão nessa fase. (Simplicio, 2013 p.04) E aí você me pergunta: onde entra o frizz nessa história?

Apesar da maioria dos fios estar na fase de crescimento o comprimento desses fios pode variar. Assim, entre uma maioria de fios mais longos, podem aparecer fios curtinhos, “recém-chegados”. Nem sempre eles se misturam completamente na cabeleira e podem ficar “espetados”, com o aspecto de frizz.

Solução:

  • Esse é um processo normal e não exige grande preocupação. Para amenizar o frizz, use óleos finalizadores e reparadores de pontas.

2.Frizz por atrito

Todos os dias nossos cabelos entram em contato com vários objetos: travesseiro, toalha, pente, prendedores, etc. Além disso, a gente também não resiste e frequentemente toca os fios, ajeita daqui e dali. Assim, os fios ficam arrepiados. Para entender esse fenômeno pense o seguinte: nossos cabelos podem conduzir energia. Quando os fios entram em atrito e acumulam cargas elétricas iguais,  um fenômeno curioso acontece, a tal eletricidade estática. Lembra da história de que os opostos se atraem? Pois os iguais se repelem, daí o aspecto armado dos fios. É exatamente por essa razão que alguns secadores possuem íons negativos para “combater” a eletricidade estática e selar os fios.

Sabe aquela balançadinha com as mãos que você faz para “soltar” a raiz e deixar o cabelo com um volumão? Pois é, esse volume todo acontece não só porque estamos esticando levemente os cachos mais encolhidinhos, mas também porque estamos criando atrito e contribuindo para que os fios fiquem mais afastados um do outro. Ou seja: para quem é fã de volume,  o frizz é essencial, o principal trunfo para deixar o cabelão nas alturas! AMOOOOO! 

Solução:

  • Evite o atrito excessivo sempre que possível. Troque a toalha comum por uma toalha de microfibra ou camisa de algodão. Evite esfregar a toalha contra os fios. Além de incentivar o frizz, essa ação pode provocar a quebra dos fios. O mais indicado é apertar gentilmente a toalha de baixo para cima.
  • Ao invés de usar pentes de plástico, opte por pentes de madeira ou de metal.
  • Segure a vontade de tocar nos cabelos durante o processo de secagem para não desfazer os cachos que ainda estão molhados.
  • Se você costuma usar o difusor para finalizar os cabelos, uma boa dica é usar um jato frio após finalizar a secagem. Assim é possível interromper a ação do calor excessivo desse equipamento sobre os cabelos e evitar o ressecamento.

3.Frizz por falta de umidade 

Em alguns períodos do ano a umidade relativa do ar é reduzida, o que intensifica o aparecimento de frizz. Outro problema que incentiva o frizz é a falta de tratamentos de hidratação regulares. Essa falta de umidade também pode ser consequência de agressões químicas, mas vamos deixar pra falar delas no próximo tópico.

Solução:

  • Em casos mais simples, a aplicação de máscaras de hidratação semanal ou quinzenalmente é suficiente para melhorar o aspecto dos fios. Máscaras hidratantes com componentes como manteiga de cupuaçu, pantenol,  glicerina, aloe vera, proteína do trigo, etc; são alguns exemplos do que pode ajudar no tratamento diário de cabelos que necessitam de hidratação. Os produtos com função “antifrizz” também podem ser utilizados, principalmente na finalização.
  • Use a água a seu favor: experimente aplicar o finalizador com os cabelos ainda bem molhados e só retire o excesso de água depois de aplicar o seu creme ou leave-in favorito.
  • Proteger os fios nos dias mais quentes com o uso de chapéu, lenços, bandanas, etc; também é uma boa dica.
  • Vale lembrar também que a alimentação equilibrada é central para fios saudáveis. Por isso, dê uma atenção especial e esse tópico e lembre-se de comer e se hidratar bem ao longo do dia. Na dúvida, procure orientação profissional.

4. Frizz por umidade

tipos de frizz: postagem com quatro causas de frizz mais comuns em cabelos cacheados e crespos e dicas para reduzir o frizz. Foto: cabelo longo preto com frizz

Já falamos sobre a falta de umidade e os impactos sobre os fios. Mas e quando é o contrário que nos incomoda? Pois é, muitas crespas e cacheadas sabem que um dia de chuva pode deixar os fios muito frizzados. A própria mudança constante do clima ao longo do dia provoca um reboliço nas nossas madeixas.

Solução:

  • Faça finalizações mais caprichadas e invista em finalizadores que garantem mais fixação. A combinação de gel + creme + óleo costuma render bons resultados. As máscaras multifuncionais que permitem o uso sem enxague geralmente são mais consistentes e também ajudam a prolongar a finalização.
  • Os óleos reparadores de pontas são ótimos para levar na bolsa e reaplicar ao longo do dia nas pontinhas.

3.1 Frizz por agressões químicas

Alguns componentes utilizados no nosso dia-a-dia são agressivos para a saúde dos cabelos e incentivam o frizz. Você já notou que após usar alguns tipos de shampoo, os fios ficam enrijecidos e espigados? Tudo isso dificulta o desembarace e incentiva que os fios embolem muito depois de secos e fiquem ásperos ao toque.

Os shampoos utilizam componentes chamados de “tensoativos” para reduzir a tensão superficial das soluções e realizar a limpeza. Eles podem ser  aniônicos, catiônicos, não iônicos e anfóteros. Geralmente os shampoos que a gente encontra nas gôndolas do supermercado utilizam tensoativos aniônicos sulfatados. Eles possuem alto poder de limpeza, formam muita espuma e possuem baixo custo para as empresas, por isso são tão utilizados. São exemplos desse tipo de componente o Sodium Laureth Sulfate (SLS) e o Lauril Eter Sulfato de Sódio (LESS). Se você está usando shampoos desse tipo e notou que o resultado não tem sido bacana, fique alerta!

Solução:

  • Ao observar que os cabelos cacheados e crespos possuem mais dificuldade para distribuir a oleosidade natural da raiz às pontas e constatar que alguns shampoos com tensoativos sulfatados retiram parte dessa oleosidade natural e contribuem para fios ressecados, muitas empresas lançaram os chamados “shampoo sem sulfato” ou  “shampoo low poo”.  Se você desconfia que o ressecamento e o excesso de frizz pode ter relação com o seu shampoo, anote a dica: substituir os shampoos com tensoativos sulfatados, apelidados de “sulfatos fortes” por shampoos mais suaves como os shampoos liberados para low poo pode ser uma alternativa.

tipos de frizz: postagem com quatro causas de frizz mais comuns em cabelos cacheados e crespos e dicas para reduzir o frizz. Foto: cabelo descolorido em com alaranjado com muito frizz

Mas às vezes os tais “tensoativos sulfatados” não são o maior vilão dessa história. Processos como descoloração, coloração com amônia, relaxamentos, permanentes, alisamentos e similares podem danificar a estrutura dos fios profundamente. A estrutura da cutícula que deveria se apresentar sobreposta e semi-aberta num encaixe perfeito, é danificada.

Quando os cabelos sofrem com esses danos químicos se tornam mais porosos e apresentam mais dificuldade para reter umidade no interior do fio. A perda de aminoácidos em processos como a descoloração também pode pode prejudicar a forma dos fios, que perdem massa, ficam mais finos e apresentam mais dificuldade para formar cachos definidos. Esse tipo de dano é progressivo e esgota a integridade dos cabelos aos poucos. Assim, o aspecto ressecado, o frizz e a quebra podem aparecer.

Solução:

  • Invista em produtos que ajudem a amenizar os danos causados aos fios, procure por tratamentos ricos em queratina e proteínas hidrolisadas. Quando estão presentes em máscaras com pH baixo, os aminoácidos que formam as proteínas “[…] conseguem atuar como catiônicos, ajudando a neutralizar cargas estáticas e melhorar assim a penteabilidade, aumentando o volume e o brilho dos fios”. (TAMBOSETTI, 2008, p.10) Ou seja: além de auxiliar na restauração, esse tipo de formulação pode ajudar a combater o frizz.
  • Se lembra daquela tabelinha de pH que vimos aqui no blog tempos atrás? Pois é, processos de descoloração, alisamentos, relaxamentos, progressivas e outras “químicas” semelhantes são baseados em composições com pH alcalino, que dilatam a fibra capilar e facilitam a ação de alisamento, relaxamento, coloração ou descoloração. Geralmente uma parte essencial desse processo é a neutralização, que ajuda a promover o equilíbrio e retomar um pH mais próximo do pH natural dos fios (entre 4,5 e 5,5). Infelizmente nem sempre esse passo é feito com a devida atenção em procedimentos feitos em casa. Outras vezes, mesmo nos salões a falta de neutralização pode deixar os fios suscetíveis e a mais danos como a ação do sol, do calor da prancha e do secador, etc. E aí é só ladeira abaixo! Fios com pH muito alcalino devem receber tratamento profissional  para restabelecer o equilíbrio. Já existem algumas soluções para cuidados em casa como os famosos “acidificantes”. No entanto, o uso inadequado mais atrapalha que ajuda.
  • Utilize produtos para finalização com proteção solar e proteção térmica. Uma vez que os fios já se encontram fragilizados, é essencial garantir a proteção contra agressões externas como sol, secador, chapinha, etc.
  • Inclua óleos vegetais na sua rotina, eles ajudam a devolver maciez e brilho para os fios, além de auxiliar na retenção de umidade. São exemplos de óleos que podem ser incorporados no tratamento de cabelos cacheados e crespos danificados: óleo de coco, óleo de jojoba, óleo de ojon, óleo de linhança, óleo de argan, óleo de monoï, óleo de abacate, óleo de buriti, etc.
  • Corte pontas esticadas: não se apegue ao comprimento, cortes regulares deixam os fios com mais balanço e livre de pontas espigadas.

3.2 Frizz scab hair 

Durante a transição capilar e mesmo após o corte de partes alisadas, algumas pessoas notam que os fios aparentam mais frizz e são mais ressecados. Chamamos essa característica de scab hair.

Muitas mulheres passam anos alisando o cabelo. Tantos anos que às vezes mal se lembram de como era a textura natural. Em muitos casos, a exposição a químicas alisantes e relaxantes não era acompanhada por tratamentos profundos, o que dificulta o crescimento saudável.

Solução:

  • Assim como a própria transição capilar, o scab hair é transitório. Os fios que começam a crescer durante a transição nem sempre correspondem à “textura final”, obtida algum tempo depois de cortar as partes alisadas realizar tratamentos mais profundos. A dica é investir em boas máscaras de hidratação e nutrição. O cronograma capilar pode ser uma opção para organizar esses tratamentos de forma periódica. Na dúvida, consulte sempre um profissional de confiança.
  • Aqui os finalizadores ricos em manteigas e óleos vegetais  também são bem-vindos para acalmar o frizz.

4. Frizz por falta de corte ou corte equivocado

Um bom corte de cabelo tem o poder de alterar aspectos como movimento, volume e/ou definição de cabelos crespos e cacheados. Quando os fios permanecem muitos meses (ou até anos!) sem um corte adequado podem perder o balanço e a forma e assumirem um “efeito pirâmide”.

Durante esse período também podem aparecer pontas destacadas em função da quebra, do crescimento desigual ou da diferença de texturas numa mesma cabeleira. O resultado são cabelos muito compridos e fios que vão se tornando mais ralos nas pontas. A ausência de corte pode dificultar a  modelagem de cabelos cacheados e crespos e favorecer o frizz já que existem várias pontas “sobrando” e que as mechas ficam mais desconectadas entre si. 

Além disso, o corte com instrumentos inadequados pode incentivar a formação de pontas duplas e o frizz excessivo. Esse é o caso do corte desfiado com a navalha, uma técnica que não é recomendada por muitos especialistas em cabelos cacheados e crespos. A própria tesoura desbastadora por vezes é apontada como causa para esse resultado indesejado.

Solução:

  • Faça cortes regulares, conforme a necessidade dos seus fios. Procure por profissionais especializados que compreendam as características e necessidades de cabelos crespos, cacheados e ondulados.

Prontinho! Agora que você já sabe quais são os tipos de frizz é só colocar o conhecimento em prática!

Bibliografia

TAMBOSETTI, Francieli et al. Máscaras de Hidratação Capilar utilizadas em um salão de Balneário Camboriú, ano 2008. 2008.

Chilante, Jucemara Aparecida, Leonardo Bruno de Oliveira Vasconcelos, and Daniela da Silva. “ANÁLISE DOS PRINCÍPIOS ATIVOS DO PROTOCOLO DESTINADO A REESTRUTURAÇÃO CAPILAR.”

DOS SANTOS, Andreza Carneiro. Fibra Capilar, Agentes de Coloração e Descoloração: Química, Mecanimos de Ação e Danos Oxidativos.

BAPTISTA, Karina Fernandes, BONETTO, Nelson Cesar Fernando. Estudo comparativo de xampus com e sem tensoativos sulfatados. Disponível em: <revista.oswaldocruz.br/Content/pdf/Edicao_12_Baptista_Karina_Fernandes.pdf>

SIMPLICIO, Pollanna Carvalho. Carboxiterapia no tratamento da alopecia. portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/18/80_-_Carboxiterapia_no_tratamento_da_alopecia_1.pdf

Maressa De Sousa

Maressa, 23 anos, baiana. Mestranda em Antropologia. Ama filmes e livros de ficção e aventura. Para ela, a transição capilar marcou o início de muitas outras transformações.







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