Assumir o cabelo natural é um ato político? revisitando o tema

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Assumir o cabelo natural é um ato político?

A transição capilar é um processo de volta ao cabelo natural que começa através da interrupção da utilização de produtos para alisar ou relaxar os cabelos e termina após o corte de todas as partes alisadas, mantendo apenas a textura naturalmente ondulada, cacheada ou crespa. Mais do que um processo com fins estéticos, o uso do cabelo naturalmente crespo e a transição capilar é visto por muitas pessoas como um ato político. Aqui no blog havia um pequeno texto sobre o assunto de tempos atrás mas decidi atualizar a discussão a partir de um diálogo com autores das ciências humanas. Então bora lá!

Discursos sobre a raça no Brasil

A produção de discursos em torno da raça variou muito ao longo do tempo. Durante a colonização, acreditou-se que o trabalho árduo poderia afastar os povos escravizados se afastariam da “barbárie” e da “bestialidade” do contexto de origem: o continente africano. (SANTOS, 2014, p.18) A ideia de “resgate” dos povos marca então parte desse período.

Após a abolição, a constituição de uma nação formada por ex-escravizados negros, negras, “mestiços” e “mestiças” coloca-se como desafio. “Nesse contexto, as pessoas brancas eram vistas como biológica, moral e intelectualmente superiores a negros/as e amarelos/as e indígenas, sendo a miscigenação compreendida como algo que enfraquecia grupos, pois os filhos/as mestiços/as incorporariam as qualidades do grupo racial inferior” (GPP – GeR, 2010, p.71)

É a partir de um processo de transformações que um projeto de “povo brasileiro” se coloca em discussão. Para alguns intelectuais, a “mistura de grupos raciais” era uma saída para o “problema”, para outros, tais relações só poderiam trazer “seres degenerados”. No século XX estímulos à imigração se desenvolvem no Brasil e explicitam qual foi então a opção encontrada diante da questão racial: um projeto de embranquecimento do país, isto é, “um processo histórico, social e racial pelo qual o país depuraria sua população negra através do ingresso e mistura de brancos/as europeus/eias no país”. (GPP – GeR, 2010, p.71). Assim, o incentivo a uma imigração branca para o país fazia parte do novo projeto de nação.

Nas primeiras décadas do século XX, mais especificamente em 1933, a publicação de “Casa-Grande e Senzala” marca a difusão do mito da democracia racial brasileira. Na obra, um destaque significativo é dado à interpenetração cultural presente na dominação patriarcal portuguesa como modo de explicar a formação brasileira. As “relações íntimas” (por vezes estupros e abusos, diga-se de passagem) entre senhores e escravos são tidas como um aspecto democratizante das relações sociais estabelecidas. A perspectiva do autor é pautada na consideração da experiência da colonização como um processo de caráter harmônico e equilibrado, consagrando a cada raça sua contribuição para a constituição nacional. Evidencia-se, assim, a visão adotada do Brasil como um paraíso racial que sobrevive ainda hoje para alguns, mas que também divide espaço com outras. 

O livro “Racismo Cordial”, por exemplo, escrito por Cleusa Turra em publicado em 1998 destaca uma pesquisa realizada pela Datafolha sobre preconceito racial no Brasil. O livro trata de uma das faces do racismo brasileiro, a saber, a cortesia superficial que encobre o racismo das relações e que se manifesta por meio de piadas, brincadeiras, ditos populares, etc. No Brasil, há noção de que existe racismo sem que os agentes sejam identificados. (GPP – GeR, 2010, p.100)  

Para tratar do racismo, tomo a definição emprestada do caderno de Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça (GPP-GeR) que o considera como um “conjunto de ações, ideias, doutrinas e pensamentos que estabelece, justifica e legitima a dominação de um grupo racial sobre o outro, pautado numa suposta superioridade do grupo dominar em relação aos dominados. Num regime em que prevalece uma logica racista, os recursos das mais diversas ordens (econômicos, políticos e simbólicos) são distribuídos seguindo a logica desigual da hierarquia social vigente”. (GPP – GeR, 2010, p.100)

É nesse sentido que as relações raciais no país são caracterizadas pela desigualdade e pela posse de mais recursos simbólicos, financeiros, políticos e comunicacionais por parte de determinados grupos.  As possibilidades de contestação e resistência estão diretamente associadas a um contexto específico. Assim, períodos democráticos ou de redemocratização alteram diretamente as dinâmicas ligadas ao movimento negro. (GPP – GeR, 2010, p.179-184).

Num contexto recente, em diversos países africanos e também em outros países que foram colonizados como o Brasil, a raça ganhou novos desdobramentos e tornou-se um “instrumento aglutinador identitário que operou a retomada de autonomia política e conscientização histórica e cultural desses mesmos povos agora dignificados”. (GPP – GeR, 2010, p.62). Assim, as discussões sobre o que é ser negro/negra no Brasil ganham interpretações outras e debates sobre identidade e as intervenções corporais encontram terreno fértil para se desenvolverem como um tópico na agenda do movimento negro. Nesse percurso, os uso do cabelo natural, os penteados e as amarrações de turbante são tidos como reencontro com a estética negra e resistência política. O crescimento de feiras negras, o afroempreendedorismo, a construção de mídias negras produzem novos espaços de interação.

Identidade e cabelo natural

Ao falar do próprio cabelo naturalmente crespo, muitas mulheres e homens afirmam que se tal traço é parte de sua “identidade”. Entendo que algumas pessoas podem tecer uma crítica ao uso dessa palavra por temer que ela guarde uma concepção muito fechada e essencializada de pessoa. Particularmente, pelo menos no contexto de escrita acadêmica, já não gosto muito dessa recurso. Por outro lado, na falta de palavras para expressar minha relação com meu cabelo, sou uma dessas mulheres que toma o cabelo natural como parte da identidade. Vejamos agora que discussão podemos tirar disso.

Como nos ensina Woodhard (2002), as  identidades não surgem em um vácuo, mas são parte de um diálogo entre a subjetividade e a cultura.Todos nós somos confrontados por discursos que nos situam no mundo, que nos classificam e nos atribuem (ou tentam atribuir) lugares. Esses sistemas de classificação colocam as fronteiras do permitido e do proibido, do certo e do errado, do legal e do ilegal e variam em tempo e lugar. É através da linguagem que acessamos os sistemas de classificação e que nos inserimos no mundo. 

Assim, cada um de nós falamos de diferentes lugares e temos diferentes expectativas e restrições.  (Woodhard ,2002, p.30). Então estamos falando aqui que os constrangimentos se configuram não só num plano “simbólico”, mas que existem efeitos reais e desvantagens materiais. As identidades se situam em relações de poder e geram conflitos de modelos de significação e de ordem material. Com isso quero dizer que a discussão sobre identidade não se restringe a um plano subjetivo. Para Woodhard, “[..] nós vivemos nossa subjetividade em um contexto social no qual a linguagem e a cultura dão significado à experiência que temos de nós mesmos e no qual nós adotamos uma identidade.” (Woodhard, 2002, p.55) Sendo assim, a identidade possui um caráter que é relacional e se constitui a partir do contexto em que vivemos e das relações que formamos. 

A formação da identidade como parte das relações com poder também aparece em “Estabelecidos e Outsiders” de Nobert Elias (2000). Na obra, o autor trabalha o modo como as diferenças marcadas entre os grupos de forma hierárquica podem contribuir para o surgimento de certos constrangimentos. Nessa lógica, as microrrelações diárias reforçam a lógica da submissão e da inferioridade atribuída a um grupo. Ao colocar-se como superior, determinado grupo estigmatiza e diminui outro grupo, e nesse movimento, postula suas concepções, normas sociais e comportamentos como hegemônicos. Esse é um processo coletivo, cotidianamente reafirmado e intersubjetivamente construído.

Assim, o racismo não é resultado de uma ação pontual, mas é construído e alimentado. Do mesmo modo, o preconceito em relação ao uso do cabelo naturalmente crespo é reafirmado através de falas e constrangimentos cotidianos. Muitas mulheres que usam seus cabelos naturais sabem do que estou falando. O cabelo crespo ainda é percebido como “ruim”, “duro”, “desleixado”, “inadequado” para profissões de destaque, coisa de quem “está sem dinheiro pra alisar”, perigoso porque “pode pegar carrapato/pilho”.

assumir o cabelo natural é um ato político?

Na fala popular, nascer de cabelo “bom” é nascer de cabelo liso e muita gente sabe disso sem a necessidade de explicar. Tal coisa não precisa ser explicada na medida em que o cabelo liso é uma espécie de “identidade normal”. A ideia de que nascer de cabelo bom é ter cabelo liso está enraizada e por isso “bom” não poderia ser outra coisa senão “liso”. Quando a crítica sobre um  padrão de beleza ligado ao cabelo liso é acionada, é no sentido de que por muito tempo essa identidade foi “normalizada” no sentido de elegida como parâmetro ideal.

“Fixar uma determinada identidade como a norma é uma das formas privilegiadas de hierarquização das identidades e das diferenças. A normalização é um dos processos mais sutis pelos quais o poder se manifesta no campo da identidade e da diferença. Normalizar significa eleger – arbitrariamente – uma identidade específica como o parâmetro em relação ao qual as outras identidades são avaliadas e hierarquizadas. Normalizar significa atribuir a essa identidade todas as características positivas possíveis, em relação às quais as outras identidades só podem ser avaliadas de forma negativa. A identidade normal é “natural”, desejável, única. A força da identidade normal é tal que ela nem sequer é vista como uma identidade, mas simplesmente como a identidade. Paradoxalmente, são as outras identidades que são marcadas como tais” (idem).

Resistência e transição capilar

Considerando a história brasileira, o espaço para a contestação aberta contra o racismo é muito recente. Antes disso, era por meio do que pode se chamar de “microresistências” cotidianas que muitos negros e negras reagiam. Conforme Alicianne Gonçalves de Oliveira, somente a partir da década de 1970 que esse ‘quase silêncio’ começa a ser rompido, quando o movimento negro começa a se organizar politicamente de maneira mais formal e associativa. (Oliveira, 2015).

Conforme dito no início desse texto, dentre os tantos aspectos de enfrentamento do racismo, escolho destacar aqui o uso do cabelo natural. Sobre as mulheres que passam pelo processo de transição capilar, Natana Alvina Botezini afirma: “a agência que essas mulheres desenvolvem em seu cotidiano aceitando um fator da sua corporalidade – o cabelo natural – e lutando contra as categorias do padrão estético dominante, constitui uma forma de micro poder que se traduz num fator de visibilidade e principalmente, de auto-reconhecimento. E é justamente através desse auto-reconhecimento que elas enquanto grupo são reconhecidas política e socialmente.” (Botezini, 2014)

A esse respeito, é impossível não mencionar Nilma Lino Gomes, autora de um belo trabalho sobre os em salões de beleza étnicos em Belo Horizonte. A autora acredita que, por maiores que tenham sido as tentativas de resistência da população negra, persistiu historicamente um olhar “desencontrado” do negro sobre si mesmo e sua cultura, o que permitiu uma aceitação e internalização parcial das concepções racistas de uma superioridade branca (Gomes, 2012).  A autora refere-se assim a um contraditório processo de rejeição/aceitação em que sujeitos negros experienciam cotidianamente em uma sociedade racista. Gomes (2012) afirma que esse processo “pode resultar na rejeição de elementos do corpo que passaram a ser considerados como os que mais atestam o pertencimento à raça negra. Desses, os principais são a cor da pele e o cabelo” (Gomes, 2012). A partir do pressuposto que o estético é político, Nilma identifica os salões étnicos como espaços de resistência:

“Os salões revelam-se mais do que como microempresa ou como lugares de embranquecimento. Eles são espaços da comunidade negra. Nesses espaços, a identidade negra, conquanto processo, é problematizada, discutida, afirmada, negada, encoberta, rejeitada, aceita, ressignificada e recriada.”(Gomes, 2012).

O movimento em torno da valorização e ressignificação dos cabelos crespos não se restringe aos espaços dos salões étnicos. É um processo difícil de ser analisado, especialmente por não ser um movimento formal, organizado, instituído. Trata-se de um processo vivido de maneira individual e coletiva. 

O alisamento ou não dos cabelos carrega significados  construídos historicamente, configurando, assim, a transição capilar como um ato de posicionamento político. Quanto a isso, Mariana Marques Tavares argumenta:

É impossível desvincular a estética capilar negra de seu uso político. Por ser uma linguagem (Gomes, 2008), o uso do cabelo sempre comunica algo, que transcende a vontade ou  determinação íntima do sujeito. Em um contexto de racismo, é impossível desvincular o alisamento da opressão a que a corporeidade negra é sujeita. Assim como é impossível utilizar os cabelos crespos sem que a mensagem de uma quebra com o status quo esteja presente. (…) As significações do corpo são coletivamente estabelecidas, e a identidade é construída não somente a partir do nosso olhar sobre nós mesmas, mas também a partir do olhar do outro sobre nós e do nosso olhar sobre o olhar do outro sobre nós.” (Tavares, 2014)

Cabelo natural e representações midiáticas 

Propaganda de 1952 da Esponja de aço “Krespinha”. “No Rio, todos me conhecem. Sou Krespinha – a melhor esponja para a limpeza da cozinha. As paulistas também vão me querer bem”. Fonte: Propagandas Históricas

Os cabelos crespos foram representados durante muito tempo como  “difíceis de lidar”, “ruins” e “rebeldes”. O uso do cabelo natural também esteve por muito tempo associado ao desleixo e à falta de dinheiro. Parte desse imaginário sobrevive na cultura brasileira e pode ser identificado a partir de um olhar cuidadoso sobre a representações midiáticas do cabelo natural. Na televisão ou na internet, diversas propagandas de escovas e produtos alisantes colocam em oposição um cenário inicial na qual as modelos usam seus cabelos naturais e apresentam a expressão de frustração diante dos fios volumosos e frizzados. A insatisfação dá lugar à alegria diante dos cabelos alisados através dos produtos anunciados.

Recentemente essas representações têm dividido espaço com propagandas voltadas para produtos destinados aos cuidados com o cabelo natural. A abertura do mercado para esse público e a representação positiva que vem sendo construída em torno do cabelo cacheado/crespo mostra que os discursos em torno do uso do cabelo natural encontram-se em disputa e podem ser configurados e reconfigurados constantemente.

Na internet o crescimento de blogs, páginas e grupos voltados para os cuidados com cabelos crespos e cacheados se multiplica. A criação de novos espaços de representação, troca de informações e construção de conhecimento acerca do cabelo natural aponta para a importância do uso da internet e das novas tecnologias para conectar a experiência daqueles e daquelas que desejam usar o cabelo natural. Mas para além do cuidado estético, interessa-nos aqui observar que o uso desses recursos comunicacionais têm sido também um meio para que lutas sociais sejam colocadas em pauta como a luta contra o racismo e o genocídio dos jovens negros. 

Assumir o cabelo natural é um ato político?

Bennett & Segerberg (2012) apontam no cenário de confrontos políticos contemporâneos o crescimento de “novas formas de ação, mais personalizáveis e digitalmente mediadas”. Essas mídias por vezes são utilizadas como fontes de informações alternativas a organizações jornalísticas convencionais. (p.10) A despeito disso, embora os blogs, sites e grupos que incentivam o uso do cabelo natural não disputem espaço diretamente com organizações jornalísticas, há uma disputa de discurso inegável com outros setores que tradicionalmente são produtores de conhecimento sobre métodos e práticas associadas ao cabelo: salões da beleza e profissionais da área, grandes marcas, revistas especializadas, etc.

O surgimento de novos atores diretamente ligados à experiência de transição capilar e uso do cabelo natural é um novo elemento desse cenário. Conforme novos atores questionam a necessidade de representação positiva de negros nos conteúdos veiculados em jornais, revistas, novelas e propagandas, esses atores que agora ocupam espaços comunicacionais também constroem representatividades. Assim, nas redes sociais a transformação do cabelo cacheado/crespo em cabelo liso antes tida como uma experiência desejável nas propagandas de escovas e produtos alisantes, são substituídas nos blogs, páginas e grupos por outras imagens de “Antes x Depois” valorizando o retorno ao cabelo crespo e positivando a experiência dos cabelos naturais.

Ao realizar um mapeamento das redes sociocomunicacionais de pensamento e ativismo de afrobrasileiros, Cogo e Machado (2010) apontam o movimento negro como “uma instância não homogênea cuja pluralidade é tributária da própria intensificação das redes sociais como uma das modalidades de relacionamento e mobilização das sociedades contemporâneas”. (p.3) Para Cogo e Machado (2010), vivemos num cenário em que os “movimentos que não se constituem mais unicamente como formas de organização coletivas centralizadas, mas que podem comportar dimensões inventivas e solidarísticas, configurando-se como redes sociais complexas que atuam através da combinação de dimensões locais, nacionais e transnacionais” (idem) As autoras apontam o uso das tecnologias de comunicação pelo movimento negro como um modo de exercer cidadania comunicativa.  

“Cidadania que, ao se definir pela democratização do acesso e participação da sociedade na propriedade, geração e distribuição dos recursos comunicacionais, pode produzir modalidades de participação das populações negras na gestão de políticas de representação pública de sua diversidade cultural e de suas demandas históricas específicas por inclusão e igualdade.” (COGO & MACHADO, 2010, p.4)

Com tudo isso, espero ter abordado alguns elementos para pensar o uso do cabelo natural como um ato político e sua ligação com contextos mais amplos.

Este texto é uma adaptação de um trabalho de conclusão de disciplina. Por essa razão, divido os créditos e dedico agradecimentos especiais a Filipe Reis, João Victor Martins Saraiva, Raul Lansky e Tomaz Salles. 


Referências Bibliográficas

BENNETT, Lance W.; SEGERBERG. Alexandra.  The Logic of Connective Action – Digital Media and the Personalization of Contentious Politics. Information, Communication and Society, v. 15, n. 5, p. 739-768, 2012. Tradução de Filipe Motta

BOTEZINI, Natana Alvina. Cabelos em transição: um estudo acerca da ifnluência dos cabelos afro como sinal diacrítico e reconhecimento étnico. 2014. 38º ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS GT32 – RELAÇÕES RACIAIS: DESIGUALDADES, IDENTIDADES E POLÍTICAS PÚBLICAS

COGO, Denise; MACHADO, Sátira. Redes de negritude: usos das tecnologias e cidadania comunicativa de afro-brasileiros. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Caxias do Sul, RS – 2 a 6 de setembro de 2010. Disponível em: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2010/resumos/R5-1650-1.pdf>. Último acesso em: 15/06/2016

ELIAS, Norbert & SCOTSON, John L. Os estabelecidos e os outsiders: a sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.

FIGUEIREDO, Angela (2002). Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada: identidade, consumo e manipulação da aparência entre os negros no Brasil. Texto apresentado na ANPOCS, mimeo.

GEBARA, Ademir. Escravos: fugas e fugas. 1986. Revista Brasileira de Hitória. V.6 N.12

Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça GPP – GeR Módulo III/ Orgs. Maria Luiza Heilborn, Leila Araújo, Andreia Barreto. – Rio de Janeiro: CEPESC; Brasília: Secretaria de Políticas para as Mulheres, 2010.

GIACOMINI, Sonia Maria. Mulher e escrava: Uma Introdução ao Estudo da Mulher Negra no Brasil. Rio de Janeiro: Vozes. 1988.

GOMES, Nilma Lino. 2012. “Corpo e cabelo como símbolos da identidade negra”. Link: ttp://www.acaoeducativa.org.br/fdh/wp-content/uploads/2012/10/Corpo-e-cabelo-como-s%C3%ADmbolos-da-identidade-negra.pdf

OLIVEIRA, Alicianne Gonçalves de. 2015. Artigo disponível em : periodicos.ufsm.br/animus/article/download/17800/pdf

DA SILVA, Tomaz Tadeu. A produção social da identidade e da diferença. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, p. 73-102, 2000.

SANTOS, Joice. “Em nome do Pai, do filho e da Real Fazenda”. Revista de História da Biblioteca nacional. Ano 10, n° 108, 2014, p.18.

TAVARES, Marina Marques  . 2014. Fio condutor: uma reflexão inicial sobre as relaçoes de poder que perpassam o cabelo da mulher negra brasileira.

WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, Vozes: 2000. pp. 07-72.

Maressa De Sousa

Maressa, 23 anos, baiana. Mestranda em Antropologia. Ama filmes e livros de ficção e aventura. Para ela, a transição capilar marcou o início de muitas outras transformações.







comments

Comentários

Gostei muito do artigo, Maressa! Parabéns!!
Minha relação com o meu cabelo está mudando a visão que tenho de mim mesma nesses quatro meses de transição. Aliso desde os 10 anos, ou seja, são 22 anos de cabelo quimicamente liso e não dá para mudar por fora sem que isso também reflita por dentro.
Minha primeira tentativa de voltar ao natural foi há cinco anos, porém fiz permanente. Não foi a mesma coisa e terminei desistindo. Dessa vez está diferente, pois eu não apliquei nada de química, nem espero que a parte lisa cacheie como num passo de mágica. Agora estou cuidando mais, usando texturas.
Estar em transição dá mais trabalho que o lisão escorrido, é muito óbvio. Principalmente em tempo de chuva e com rinite que tenho, não dá pra molhar ou umedecer todos os dias para texturizar.
Porém, antes meu cabelo estava sem vida e sem volume com a progressiva. Agora na transição, vejo ele com volume (agora muito amado!!), cacheando aos poucos, como num processo de libertação, ressurgindo em meio aos inúmeros cortes químicos que a progressiva deixou. Minha vontade de fazer o BC está cada vez maior, mas ainda não me sinto preparada.
Concordo com o seu texto e destaco a questão do racismo velado que perdura no Brasil, pois existem pessoas que olham para o cabelo crespo ou cacheado com nojo ou dizem que é “modinha”. A expressão facial nunca engana, apesar dos elogios…:(
Creio que a parte mais complicada desse processo é a minha reconstrução interna, pois nunca achei que combinaria com o meu cabelo cacheado, que aquele volume todo era feio, me sentia mal quando criticavam o volume, que não podia cortar curto para não inchar, essas coisas que todo mundo que viveu a saga dos alisamentos, escova e chapinha todo final de semana sabe o que estou dizendo.
E a internet tem sido uma mãe muito generosa para mim nesse sentido, pois os sites (como o Cacheia!) e os vídeos do Youtube me ajudam muito a enfrentar esse processo de maneira mais suave, pois o condicionamento social e cultural é muito forte e internamente ainda está arraigado também. E esse embranquecimento forçado afetou muita gente e, por isso, vejo que não estou sozinha nesse processo.
Muito obrigada pela discussão e análise!!
Cabelo natural é um ato político sim.
Vocês do Cacheia! sempre arrasando!!!

Oi Victória, tudo bem?

Acho que essa adaptação é super normal, é realmente um processo de redescoberta e de afirmação. Eu levei um tempinho pra entender meu cabelo e me acostumar com uma textura tão diferente do liso que eu costumava usar. Tenho certeza que seu BC vai ficar lindo! Tudo de bom na sua caminhada ^_^ Abraços!

Marisa, ótima colocacao quanto a retomada do cabelo natural. Parabéns pelo post

Muito obrigada Elaine! :D

Olá, sou acadêmica de História e estou fazendo minha monografia sobre jovens negras. Embora a temática não seja voltada para o cabelo em si gostaria de saber se vocês não conhecem alguma instituição que esteja fazendo artigos sobre cabelos afros, gostaria de entrar como colaboradora de pesquisa. Desde já fico grata pela atenção.

Oi Gabriela, tudo bem? No momento não me lembrei de nenhum grupo de estudos ou núcleo que trata do assunto. Quando decidi escrever esse texto junto com alguns colegas encontrei alguns materiais online no Scholar Google. Dá uma olhada nos principais autores dessa área e procura no Lattes pra ver se de repente tem projetos em curso. Aqui na UFMG até onde eu sei, não há. Abraços!

Matéria incrível, acho que as pessoas tem mesmo que valorizar o seu verdadeiro eu!!

Amei, parabéns!!

Posso dizer que sinto na pele… Minha mãe é branca, filha de espanhóis. Meu pai era negro, descendente de índios (inclusive ele foi bem mal aceito na família da minha mãe quando ele começou a namorar com ela por puro racismo). Resumindo: sou branca do cabelo bem ondulado… Só que desde criança eu alisava. Primeiro porque todo mundo alisava e isso era “o certo”, “o bonito”. Segundo que eu mesma tinha na minha cabeça que, por ser branca, eu DEVERIA ter o cabelo liso, pois me falavam isso!

“Já que você é branca, porque não alisa o cabelo de vez? Esse cabelo não combina com você!”

Só atualmente que eu percebi que eu não deveria fazer nada disso… Não devo alisar… Chega de perder tempo com chapinha, dinheiro com químicas, cabelo feio, ressecado, cheio de pontas duplas… Tudo pra tentar ser o que eu não sou por pura insegurança… Chega de me importar com o que os outros pensam, de tentar me moldar com os padrões racistas, chega, chega… Simplesmente chega.

Amei a matéria, sério. Simplesmente sensacional. Obrigada! Beijos.

Oii, tudo bom? Bom eu alisei meu cabelo 3 vezes, sou ondulada mas tenhos uns fios lisos, mesmo assim posso se tornar cacheada? Posso virar cacheada sem fazer BC? Porque como meu cabelo nao é cacheado original se eu fizer o BC ele nao vai cachear!

Oi Caillany, o BC (big chop) é um corte para retirar as partes do cabelo que foram alisadas e manter apenas o cabelo natural. Assim, a ideia do big chop é assumir o cabelo natural seja ele ondulado, cacheado ou crespo. Não existe nenhum processo natural (sem o uso de produtos químicos) para transformar um cabelo ondulado em cacheado até onde conheço essa área. Veja dicas para finalização de cabelos ondulados aqui: http://cacheia.com/2016/07/guia-cabelos-ondulados-finalizacao/

Abraços!

Olá! Adorei o post.
Quando criança sempre estive envolvida com movimentos de valorização da cultura afro-brasileira, mas os cabelos continuavam sendo relaxados. Durante a adolescência sabia que mais tarde, quando estivesse grávida seria a chance de usar o cabelo crespo! E foi exatamente o que aconteceu! Tive a chance de conhecer como era meu cabelo natural! Por isso acho muito importante abrir espaço para esclarecimentos, para o conhecimento sobre o cabelo para que usar o cabelo black ou crespo não seja visto como “modinha”.
Parabéns!


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