Big Chop

BC: Aceitação X Aprovação

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Contei para uma amiga: “hoje faz 3 anos que eu cortei o meu cabelo e tirei toda química.” Ela não me conhecia na época e achou engraçado o fato de eu saber a data de um corte de cabelo. Só sabe a importância de um BC quem passa por um, é fato.

Na verdade, eu não lembrava a data de cor e nem precisava sabê-la para lembrar o quanto aquele dia foi especial para mim, o quanto me senti livre e eu mesma, por mais estranho que isso pareça. Na época, nem sabia que BC tinha nome nem que os meses que eu havia ficado sem alisar o cabelo eram uma fase de transição.

Mesmo que inconscientemente, me preparei para a data do bc, como já contei em “Por que tanto medo do BC, afinal?“. Na verdade, me preparei para uma guerra. Meu rosto sempre foi gordinho daqueles que todo mundo diz que não combina com o cabelo curto, então eu não sabia nem se eu mesma ia gostar do resultado, mas estava preparada para rebater todas as criticas que viessem. Decidi que iria cortar, passei no salão, marquei para aquele mesmo dia, voltei em casa, contei para minha mãe e no horário marcado voltei lá para cortar. Nem namorado ficou sabendo.

A minha primeira sensação pós corte foi um misto de euforia com estranheza e, claro, ansiedade. Estava preparada para ouvir comentários ruins. Felizmente, todas as pessoas da minha casa foram receptivas. Meu pai e meu irmão (que sempre defenderam meu cabelo natural) amaram, minha mãe adorou e meu namorado, hoje namorido e pai do meu filho, também. Claro que eles demoraram um pouco para se acostumar, né? Sai com o cabelo alisado e grande e volto com ele curto e cacheado… Né, tempo ao tempo, minha gente.

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Uma das minhas primeiras fotos pós BC

No ato do corte meu cabelo cacheou e pela primeira vez comecei a usar a franja crespa como o resto do cabelo e a gostar do meu rosto redondo com cabelo curto. – pode, SIM! – No mesmo dia já estava me divertindo amassando o cabelo e fazendo cachinhos, mas ainda tinha aquele receio: “o que meus amigos vão falar?” “será que alguém ainda vai me achar bonita?” “será que fiquei com cara de homem?”

Ou seja, na teoria eu já tinha me aceitado, mas na prática, por mais bem resolvida que eu fosse (e ainda sou), precisava de opiniões, mesmo que contrárias à minha decisão¹, para saber que, sim, eu estava bonita. E é aí que a aceitação se mistura com a aprovação.

 nota¹:  Aí você deve estar pensado: “essa menina não tá falando nada com nada”, pois explico: sabe aquela pessoa teimosa e orgulhosa? Prazer, sou eu. Se você falar “você não pode fazer isso”, pode ter certeza que eu vou fazer só para provar que eu posso, sabe como é? Então, se alguém me falasse que meu cabelo tava feio, aí que eu ia encher o peito de coragem e jogar meus cachos na cara da sociedade.

Aceitação e aprovação são sinônimos no dicionário, que vê os dois do mesmo ponto de vista “eu aceito isso, eu aprovo isso.” Olhando sob o ponto de vista de uma cacheada com cabelo alisado passando pela transição e querendo cortar, aceitação é se aceitar tal como é e aprovação é receber aquele like no Cacheadas em Transição depois do BC e, pior ainda, dos amigos, dos pais, do namorado…

Aceitação e aprovação se misturam e no meu caso não foi diferente. O fato é que é muito mais fácil se aceitar quando nos sentimos aprovadas, quando as pessoas elogiam nosso cabelo e até nossa atitude e isso é perfeitamente normal. TODOS nós precisamos nos sentir aceitos, taí o Facebook que não me deixa mentir. Ele fez da nossa vida uma capa da Caras e adoramos isso! Adoramos postar uma foto e ver todo mundo curtindo. Adoramos postar uma opinião e ver que todos concordaram. Faz bem para o ego!

Mas precisamos tomar cuidado. Sim, cuidado! Cuidado para lembramos que somos mais que um like no Facebook. Cuidado para lembrarmos porque começamos tudo isso. Você ainda lembra? Por que cansou de alisar? Por que sentiu saudades dos cachos? Você rompeu com padrões. Você cansou. Você quis ser você!

Quando rompemos com padrões, nós mudamos, mas as pessoas que nos cercam, não (pelo menos não necessariamente). Esquecemos que as vezes foram nossas mães que alisaram nosso cabelo ou que nos apoiaram. Esquecemos que todas nossas amigas também alisam ou que nosso namorado é cercado por mulheres alisadas. Nós cansamos, eles não. Por isso, não tem sentido nenhum deixarmos nossa própria aceitação nas mãos deles. Eles precisam entender tudo isso primeiro.

O que eu to querendo dizer?

Que você precisa se aceitar independente da opinião do outro. Que eles podem até não concordar, mas precisam te respeitar. Que vão ter pessoas para te dizer que seu cabelo ficou feio, mas e daí? Você precisa ser você e isso basta.

Ah, e se o namorado falou que vai te largar se você fizer o BC, tenha a bondade de abrir a porta para ele. VAZA!

#BCCOLETIVOCACHEIA

Não aguenta mais as duas texturas do seu cabelo? Dos meses em transição sem ver cacho nenhum? Então, se aceite e Cacheia com a gente! Amamhã, 18 de junho, faremos um bc coletivo. Para participar, é só fazer o BC e mandar a foto (uma e com boa resolução) e/ou um vídeo. Se quiser, envie também um pequeno texto com a sua história capilar. Faremos um álbum com todas as fotos enviadas!

 

Beijos, Mari

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