
O tratamento de “umectação capilar” ganhou fama entre as brasileiras. A técnica costuma ser feita a partir da aplicação de óleos vegetais nos cabelos, pausa, higienização e enxágue. Mas e se eu te dissesse que do ponto de vista da Cosmetologia, o óleo vegetal não hidrata cabelo?
Essa confusão é muito comum no universo dos cachos: acreditar que umectação capilar é simplesmente aplicar óleo no cabelo. Eu mesma já utilizei essa abordagem e inclusive já falamos sobre essa técnica aqui no Cacheia. No entanto, à medida que o site amadureceu e aprofundou seu embasamento técnico, tornou-se necessário alinhar o discurso ao conhecimento científico atual. Por isso, vamos entender melhor três conceitos fundamentais da cosmetologia capilar: umectação, emoliência e oclusão
Umectantes (umectação): atraem água
Umectantes são substâncias higroscópicas, ou seja, têm capacidade de atrair e reter moléculas de água do meio externo ou das camadas mais internas da fibra capilar. Eles aumentam o teor hídrico do fio.
Exemplos clássicos de ativos umectantes na cosmética: Glicerina, Pantenol (Pró-vitamina B5), Propilenoglicol, Sorbitol, Ácido hialurônico, Aloe vera e Sodium PCA.

A função dos ativos umectantes é aumentar hidratação e flexibilidade da fibra. Geralmente os cosméticos capilares combinam o poder dos umectantes com os ativos com função oclusiva. É assim: o umectante coloca água dentro da fibra, o agente oclusivo impede que ela vá embora rápido.
Em outras palavras, umectantes são um dos meios para alcançar a hidratação dos fios. Hidratação é o resultado que a gente tanto busca, notável na melhora estética e sensorial dos nossos cachinhos.
Oclusivos: reduzem perda de água nos cabelos
As substâncias oclusivas formam uma barreira na superfície do fio, diminuindo a evaporação da água já presente na fibra.
Função: selar e reduzir perda hídrica.
Exemplos de ativos cosméticos oclusivos: Petrolato, Parafina, Lanolina, Manteigas densas, alguns silicones de alto peso molecular (dimethicone, dimethiconol, amodimethicone (forma filme seletivo em áreas danificadas), phenyl trimethicone, trimethylsiloxysilicate) e claro, óleos vegetais dependendo da composição lipídica, como óleo de abacate, óleo de oliva, óleo de amêndoas, etc.

Nesse caso, os óleos vegetais são importantes para reduzir perda hídrica, melhorar a coesão cuticular, diminuir o frizz e aumentar a maciez.
Os silicones são interessantes para os fios porque formam um filme hidrofóbico leve, flexível e uniforme sobre a cutícula, reduzindo a perda de água, diminuindo fricção entre as fibras, aumentando brilho por melhor reflexão da luz e protegendo contra umidade excessiva e danos mecânicos, tudo isso sem necessariamente deixar sensação pesada quando bem formulados.
Já a parafina e o óleo mineral, embora também sejam altamente oclusivos e eficazes na redução da perda hídrica, vêm caindo em desuso em produtos capilares porque formam filmes mais densos e pouco permeáveis, podem gerar acúmulo (build-up) com uso contínuo, exigem shampoos mais detergentes para remoção e não oferecem benefícios estruturais adicionais à fibra além da oclusão.
Emolientes: promovem maciez e lubrificação
Emolientes não atraem água. Eles suavizam, lubrificam e reduzem o atrito entre as fibras, melhorando o toque e a penteabilidade. Podem ser éssteres sintéticos, manteigas vegetais e aguns silicones. Óleos vegetais também atuam como emolientes.
Função: melhorar textura, maleabilidade e reduzir frizz por diminuição do atrito.
Resumão: Óleos vegetais não são umectantes. Eles não atraem água para dentro do fio.Sua principal função é atuar como emolientes, melhorando maciez e reduzindo fricção; contribuir para oclusão parcial, diminuindo perda de água e fornecer lipídios que ajudam a reforçar a camada hidrofóbica da cutícula.

Por que oleos vegetais são indicados para cabelos cacheados?
A fibra capilar possui uma camada lipídica natural, rica em ácidos graxos (como o ácido 18-MEA). Muitos óleos vegetais possuem ácidos graxos com afinidade estrutural com os lipídios capilares, o que favorece interação superficial e, em alguns casos, penetração parcial (dependendo do peso molecular e grau de saturação).
Umectação capilar hidrata mesmo?
No uso popular, o termo “umectação” virou sinônimo de aplicação de óleo vegetal antes da lavagem. Tecnicamente, isso é uma etapa de emoliência + oclusão pré-pré-lavagem. Esse tratamento é interessante e pode ajudar nao proteção dos fios. Só não é umectação no sentido cosmético da palavra, pois não envolve agentes higroscópicos. Entendeu direitinho agora?
E se você quiser saber quais são os melhores óleos vegetais para cabelos cacheados, confira essa postagem que está completíssima. Veja também essa lista de óleos vegetais para crescimento capilar.
FAQ – perguntas frequentes
Óleo vegetal hidrata o cabelo?
Óleo vegetal não hidrata o cabelo no sentido de repor água, pois não é um agente umectante nem contém água em sua composição. Sua principal função é formar uma barreira lipídica leve sobre a fibra, reduzindo a evaporação da água já presente no fio, além de melhorar a lubrificação, o brilho e a maleabilidade.
Diferença entre hidratação e umectação:
Hidratação é o processo de repor e manter água na fibra capilar, geralmente por meio de produtos que contêm água associada a umectantes e agentes que ajudam na retenção hídrica. Já a chamada “umectação capilar”, no uso popular, refere-se à aplicação de óleos vegetais antes da lavagem; porém, tecnicamente, essa prática não repõe água, mas atua principalmente como emoliência e oclusão parcial, ajudando a reduzir a perda hídrica e melhorar a maciez dos fios.
Óleo sela a hidratação?
O óleo vegetal não “hidrata” o cabelo, mas pode ajudar a selar a hidratação ao reduzir a perda de água da fibra capilar. Ele atua formando uma barreira lipídica superficial (oclusão parcial), que diminui a evaporação da água já presente no fio, prolongando o efeito de uma hidratação prévia. No entanto, o termo “selar” é popular; tecnicamente, trata-se de redução da perda hídrica e melhora da coesão cuticular, não de fechamento permanente das cutículas. Cutícula não é porta para abrir e fechar. E selar em definitivo também não é interessante.




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