Como diferenciar quebra de queda em cabelos cacheados: sinais de tricoscopia que indicam cada problema

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Saber diferenciar quebra de queda em cabelos cacheados é fundamental para escolher o tratamento capilar de forma estratégica. A queda capilar está relacionada ao ciclo do folículo piloso e fatores internos do organismo. Já a quebra está ligada principalmente à fragilidade da fibra capilar. Os cabelos cacheados tendem a ser mais suscetíveis a danos mecânicos e ressecamento, o que aumenta a incidência de quebra quando não existe uma rotina adequada de cuidados. A queda excessiva pode acometer qualquer tipo de cabelo, incluindo cabelos cacheados. Nesse artigo você vai aprender como diferenciar quebra e queda com sinais típicos e como essas alterações aparecem na tricoscopia.

Como identificar quando é queda capilar

Na queda capilar o fio se desprende desde a raiz. A perda pode ocorrer dentro da normalidade biológica (entre 50 e 150 fios por dia em média) ou pode ser excessiva, sendo sinal de disfunções e problemas sistêmicos como alterações hormonais, deficiências nutricionais ou estresse fisiológico. Existem vários tipos de queda capilar, nesse artigo vou focar nos sinais típicos de uma das quedas mais comuns: o eflúvio telógeno.

Os sinais comuns de queda capilar excessiva incluem:

  • Fios longos caindo durante a lavagem ou ao pentear em grande quantidade
  • Redução perceptível do volume capilar com maior visualização do couro cabeludo
Tricoscopia de cabelo cacheado com queda capilar. Imagem mostra óstio quenógeno
Tricoscopia de cabelo cacheado com queda capilar. Imagem mostra óstio quenógeno

No Eflúvio telógeno podemos visualizar óstios quenógenos na tricoscopia. Óstios quenógenos são folículos vazios após a liberação do fio telógeno e antes do início de um novo anágeno. Eles são sinais que ajudam a identificar a queda porque no Fflúvio Telógeno temos o aumento da proporção de folículos na fase telógena e, consequentemente, o número de unidades foliculares temporariamente sem haste visível. Na tricoscopia, isso aparece como aumento de óstios vazios em relação ao padrão normal.

No entanto, óstios quenógenos também podem ser encontrados em couro cabeludo saudável, pois fazem parte do ciclo fisiológico do cabelo. A diferença é quantitativa: em indivíduos sem queda ativa eles aparecem em baixa frequência, enquanto no eflúvio telógeno sua proporção tende a estar aumentada.

No eflúvio telógeno também pode ser observada uma maior proporção de unidades foliculares simples (com apenas 1 fio), porque ocorre a queda sincronizada de fios telógenos dentro de unidades foliculares que normalmente teriam 2 ou 3 hastes em média. Como a reposição do novo fio anágeno não é imediata (fase quenógena), essas unidades podem parecer com apenas 1 fio na tricoscopia. Claro que no couro cabeludo saudável encontramos algumas unidades simples também, mas a questão aqui é contexto e proporção.

Quando a queixa principal é queda, geralmente o comprimento dos fios permanece preservado, mas a quantidade total de cabelo diminui progressivamente. Já na quebra, se for muito severa, temos comprometimento do comprimento com o rompimento dos fios. Em casos graves de queda, como no Eflúvio telógeno crônico ou no Eflúvio Anágeno, temos comprometimento do tamanho dos cabelos.

Tricoscopia de cabelo cacheado mostra novos fios em crescimento sinal regrowing hair
Tricoscopia de cabelo cacheado mostra novos fios em crescimento

O regrowing hair (fios em recrescimento) também é um achado comum na queda capilar do tipo eflúvio telógeno e representa a fase de recuperação do ciclo capilar, quando novos fios anágenos começam a emergir após a queda. Na tricoscopia aparecem como fios curtos, finos, com ponta afilada e espessura relativamente uniforme, distribuídos de forma difusa pelo couro cabeludo.Esses fios também podem ser vistos em indivíduos saudáveis, pois fazem parte do ciclo normal de renovação capilar. No entanto, no eflúvio eles costumam aparecer em maior quantidade alguns meses após o gatilho da queda, indicando retomada da atividade folicular.

Como identificar quando é quebra capilar

A quebra ocorre quando o fio se parte ao longo da haste devido à perda de resistência estrutural. Nesse caso, os fios encontrados normalmente têm tamanhos diferentes e não apresentam bulbo na extremidade.

Tricoscopia de tricorrexe nodosa, um sinal de quebra muito comum em cabelos cacheados
Tricoscopia de tricorrexe nodosa, um sinal de quebra muito comum em cabelos cacheados

Um dos sinais de quebra é a tricorrexe nodosa, uma alteração estrutural da haste capilar caracterizada pela formação de pontos de fragilidade (nódulos) onde ocorre ruptura da fibra, dando ao fio um aspecto semelhante a duas vassouras encaixadas quando observado microscopicamente. Está geralmente associada a danos físicos, químicos ou térmicos, mas também pode ocorrer em condições congênitas raras. Crespas, cacheadas e onduladas que fazem coloração, descoloração ou algum tipo de alisamento ou relaxamento regularmente, podem sofrer com essa alteração, também interpretado como um indicador de corte químico.

Tricoscopia de cabelo cacheado com quebra  tricorrexe nodosa
Tricoscopia de cabelo cacheado com quebra

Também observamos a tricoptilose, uma alteração da haste caracterizada pela divisão longitudinal da ponta do fio, popularmente conhecida como pontas duplas. Ela ocorre devido à degradação da cutícula causada por agressões mecânicas, químicas ou térmicas, que expõem o córtex e favorecem a fragmentação. Esse é um sinal clássico de dano acumulado e perda de integridade da fibra, sendo comum em cabelos ressecados ou com histórico de procedimentos químicos.

Tricoscipia de tricoptilose: a famosa ponta dupla
Tricoscipia de tricoptilose: a famosa ponta dupla

Os principais sinais de quebra em cabelos cacheados são:

  • Aumento de fios curtos com aspecto de frizz
  • Muitos fios curtos espalhados pela pia ou roupa
  • Pontas ralas ou afinadas
  • Sensação de cabelo áspero
  • Dificuldade de ganhar comprimento mesmo com crescimento normal
  • Alteração na elasticidade dos fios: baixa ou alta demais

Processos químicos, uso excessivo de calor, escovação agressiva, atrito e deficiência de lipídios na fibra são fatores frequentemente associados.

Um teste simples para diferenciar quebra de queda

Uma forma prática de diferenciar é observar os fios que se desprendem:

Fio com “raiz”: queda capilar. Fio sem “raiz” e com ponta irregular: quebra. Esse tipo de observação é amplamente utilizado na prática clínica inicial antes de exames complementares como a tricoscopia.

Imagem de microscópio do bulbo capilar cabelo queda acentuada eflúvio telógeno

Por que essa diferenciação é importante no tratamento capilar

Confundir quebra com queda é um erro comum e pode atrasar resultados. Queda capilar normalmente exige investigação interna e pode necessitar correção nutricional, controle de inflamação do couro cabeludo ou manejo de gatilhos metabólicos. Já a quebra exige foco na recuperação da fibra, com protocolos que priorizem hidratação, reposição lipídica e reconstrução proteica.

Quando o diagnóstico é correto, o tratamento se torna mais assertivo, reduzindo a perda de fios e melhorando a retenção de comprimento, que costuma ser a principal queixa de quem possui cabelos cacheados.

Por Maressa de Sousa, Tricologista e Técnica em Terapia Capilar

Maressa De Sousa

Maressa, 31 anos. Pós graduada em Tricologia e Ciência Cosmética. Técnica em Terapia Capilar. Cientista Social, mestra em Antropologia. Cabeleireira especialista em curvaturas.

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