Quantos fios caem por dia em cabelos cacheados? O que é considerado normal

  • Home
  • Blog
  • Quantos fios caem por dia em cabelos cacheados? O que é considerado normal

Uma das dúvidas mais comuns entre pessoas com cabelos cacheados é saber quantos fios caem por dia e quando essa queda deve ser considerada normal ou um sinal de alerta. De acordo com a literatura dermatológica, a perda diária considerada fisiológica varia entre 50 e 150 fios por dia, independentemente do tipo de curvatura. No entanto, em cabelos cacheados essa percepção pode ser diferente porque os fios permanecem presos entre as curvaturas e só se soltam durante a lavagem ou desembaraço, criando a sensação de queda excessiva. Essa sensação é ainda mais comum em casos em que os cabelos são lavados poucas vezes na semana.

Quantos fios caem por dia em cabelos cacheados?

Cabelos cacheados não caem mais que cabelos lisos. O que muda é a forma como essa queda se manifesta visualmente. Como os fios possuem formato helicoidal, eles tendem a ficar retidos na massa capilar após se desprenderem do couro cabeludo, acumulando-se até o momento da manipulação. Por isso é comum observar maior quantidade de fios no dia da lavagem, poucos fios caindo ao longo do dia e impressão de queda intensa após finalizar o cabelo.

Na prática, o que acontece é apenas um acúmulo de fios que já se desprenderam naturalmente dentro do ciclo capilar.

Qual quantidade de queda é considerada normal?

A quantidade considerada normal continua sendo a mesma descrita em estudos dermatológicos: entre 50 e 150 fios por dia mas veremos abaixo que nem sempre devemos levar isso ao pé da letra.

Esse número corresponde aos fios que entram na fase telógena, que é a fase natural de desprendimento dentro do ciclo capilar. O ciclo capilar é dividido em três fases principais: anágena (crescimento)Catágena (transição)Telógena (queda).

Quando essa proporção se altera e mais fios entram simultaneamente na fase telógena, pode ocorrer um quadro chamado Eflúvio Telógeno, caracterizado por aumento difuso da queda alguns meses após um gatilho fisiológico ou emocional.

Essa media de queda diária é apenas uma referência populacional e precisa ser relativizada conforme características individuais, porque a queda fisiológica se relaciona com a densidade capilar, duração da fase anágena, idade, frequência de lavagem, comprimento dos fios e até fatores sazonais.

Por exemplo, pessoas com maior densidade folicular naturalmente terão uma queda diária numericamente maior sem que isso represente patologia. Enquanto que para uma pessoa com uma patologia capilar como uma alopecia androgenética por exemplo, perder 150 fios por dia pode ser muita coisa e representar uma redução progressiva na densidade dos cabelos.

Da mesma forma, quem lava o cabelo apenas 2 vezes por semana pode observar a queda acumulada de vários dias de uma só vez, o que distorce a percepção clínica. Se a pessoa optar por lavar mais vezes na semana, tende a observar menos queda capilar.

Por isso, na tricologia moderna, muitos autores defendem que a estabilidade da densidade capilar ao longo do tempo é um indicador mais confiável do que a contagem isolada de fios, sendo mais relevante observar redução de volume, afinamento progressivo ou aumento da proporção de fios telógenos do que apenas o número absoluto de fios perdidos.

Queda capilar acentuada eflúvio telógeno
Queda capilar acentuada: perda de densidade na região temporal

Como saber se a queda está dentro do normal

Alguns sinais indicam queda fisiológica:

  • Presença de bulbo branco na ponta do fio
  • Fios com comprimento semelhante
  • Volume preservado
  • Ausência de falhas visíveis
  • Crescimento de novos fios (baby hairs)

Já sinais de alerta incluem:

  • Queda acima do habitual
  • Redução da densidade
  • Afinamento do rabo de cavalo
  • Abertura maior da risca central dos cabelos
  • Queda associada a sintomas no couro cabeludo como aumento da sensibilidade

Quando investigar a queda capilar

A avaliação profissional é essencial já que uma perda expressiva de cabelo não é normal. A queda capilar também pode ser entendida como um importante marcador biológico de saúde, pois o folículo piloso é uma estrutura altamente sensível a alterações metabólicas, hormonais e inflamatórias do organismo. Alterações no padrão de queda podem sinalizar tanto problemas locais, como processos inflamatórios do couro cabeludo, quanto condições sistêmicas como deficiências nutricionais, distúrbios da tireoide, alterações hormonais, doenças autoimunes ou estresse fisiológico.

Por esse motivo, na abordagem clínica da terapia capilar, a queda não deve ser vista apenas como uma queixa estética, mas como um possível sinal precoce de desequilíbrios internos que merecem investigação adequada.

Tricoscopia em cabelo cacheado com eflúvio telógeno: múltiplas unidades foliculares simples, óstio quenógeno e pêlos em recrescimento
Tricoscopia em cabelo cacheado com eflúvio telógeno: múltiplas unidades foliculares simples, óstio quenógeno e pêlos em recrescimento

Nesses casos, a tricoscopia, exames laboratoriais e a avaliação clínica ajudam a diferenciar queda fisiológica de condições patológicas.

Ana Catarina

Ana Catarina, 25, mineira de em Belo Horizonte, MG. Coordenadora de marketing e fundadora do Cacheia :)

Leave a Comment