
A transição capilar é o processo de retorno ao cabelo natural, feita a partir de cortes parciais ou do big chop (corte total daa regiões alisadas). Esse processo mostra como o fio realmente é, revelando sua textura e estrutura única, mas também pode expor consequências de danos prévios causados por químicas e calor. Muitas gente só entra na transição justamente porque os fios já não suportam passar por procedimentos de transformação.

O que acontece com o fio durante a transição?
Quando o fio foi submetido a alisamentos químicos repetidos, sua estrutura interna (córtex) e externa (cutícula) geralmente fica fragilizada: o cabelo perde proteína, pode apresentar maior porosidade, quebra facilmente e tem dificuldade para reter umidade e nutrientes. Isso é descrito em estudos que mostram que tratamentos que tratamentos químicos reduzem a resistência dos fios e aumentam frizz e irregularidade da cutícula.
O impacto do calor e de químicas alisantes – transição capilar e danos no cabelo
Ferramentas térmicas como chapinha, secador e escovas térmicas que fazem parte do dia a dia da brasileira podem promover denaturação da queratina, que enfraquece a fibra capilar.
A exposição excessiva ao calor causa microfissuras na cutícula e alterações no córtex, comprometendo a integridade mecânica do fio, como mostra esse artigo aqui. Por isso, não é recomendável passar pela transição capilar fazendo escova e chapinha com frequência.
Estudos mostram que a combinação de alisamento químico + calor pode produzir alterações profundas na fibra capilar e maior risco de dano permanente. Por isso mesmo, em alguns casos, apenas o corte total das partes fragilizadas resolve o problema.
Químicas capilares e seu impacto no couro cabeludo
Muitas vezes alisamos o cabelo por anos, sem pensar em que tipo de impacto os produtos químicos trazem para nosso sistema capilar. O risco não está só nos fios, está no couro cabeludo também.
Hoje em dia, químicas alisantes estão disponíveis para compra com enorme facilidade. O problema é que sem critérios para escolher o produto ideal e sem conhecimento para executar o alisamento com perícia, muitas pessoas em transição capilar sofrem com danos severos.
O mercado cosmético, assim como vários outros, também está suscetível a falsificações, processos de fabricação inadequados e produtos irregulares.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estabelece padrões e proíbe o uso de certas substâncias em alisantes capilares por riscos à saúde. O formol (formaldeído) é permitido apenas como conservante em baixíssima concentração (até 0,2%) e não pode ser usado para alisamento. No entanto, você provavelmente já viu algum salão por aí oferecendo esse tipo de produto não é?
O formol pode causar irritação, queimaduras e inflamação no couro cabeludo e é classificado como potencial carcinógeno e seu uso como alisante é proibido no Brasil. Além disso, pode causar também problemas respiratórios quando aquecido pelos vapores. Quem já alisou com ele sabe: os olhos ficam ardendo, a garganta fica irritada, pior sensação!!!

O ácido glioxílico, muito presente em chamadas “escovas progressivas” sem formol, também não é permitido como agente de alisamento pela Anvisa e pode causar danos especialmente quando aquecido.
Produtos com pH muito ácido ou alcalino que atuam na fibra podem irritar ou queimar o couro cabeludo se inadequados ou mal aplicados. A questão é que você pode estar sofrendo com esses danos sem perceber: descamação, oleosidade, inflamação, dermatite, coceira e outros processos de sensibilização e irritabilidade cutânea.
Transição capilar e danos químicos: disfunções no sistema capilar
Ao alisar o cabelo com produtos inadequados você pode vivenciar reações cutâneas leves, moderadas ou graves com eritema (vermelhidão), descamação e coceira (indicativos de irritação ou sensibilidade).
Também são comuns os casos de dermatite de contato irritativa ou alérgica. Estes achados são relatados em estudos clínicos sobre relaxantes e alisantes químicos, que observaram inflamação, lesões e alterações histológicas no couro cabeludo após uso desses tratamentos.
Transição capilar: cuidados essenciais
- Evite o uso adicional de calor sempre que possível. Prefira secar natural, invista em penteados e finalização natural.
- Priorize shampoos e tratamentos com pH balanceado
- Hidrate e reconstrua os fios regularmente
- Nunca use químicas proibidas ou produtos sem registro ANVISA
- Consulte um dermatologista ou tricologista se houver irritação persistente
Por Maressa de Sousa, Tricologista e Técnica em Terapia Capilar
BIBLIOGRAFIA
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