Debaixo dos Caracóis

Debaixo dos caracóis da Lirian Vaz

6 de julho de 2016

Muitos podem achar que é apenas um cabelo, mas para quem não se amava não era apenas isso. Desde pequena eu NUNCA gostei do meu cabelo. O achava feio, estranho, armado demais, chato de arrumar, nunca ficava bom e sempre o usei preso. Talvez por influência da mídia ou até mesmo por eu ser a única da minha família e dos meus amiguinhos da época a ter o cabelo enrolado assim, eu me sentia deslocada e achava mais bonito o cabelo liso. Isso fez com que eu deixasse de me amar como deveria, de me sentir bem do jeito que eu era e com isso minha autoestima baixou drasticamente. No início da adolescência (onde é tudo exagerado, inclusive os sentimentos), essa falta de amor próprio piorou junto com a minha saúde que ficou comprometida pelo excesso de peso. O bullying veio e tudo era motivo para piada. Passei a ser neurótica em relação ao meu peso, alisei o cabelo e adquiri um falso amor próprio.

Com o tempo esse falso amor foi se esgotando e percebi que não podia deixar isso continuar assim. Alisar o cabelo não me fazia mais feliz. Eu me olhava no espelho e não gostava mais do que estava vendo. O cheiro do produto era horrível, meu couro cabeludo estava totalmente sensível, meu cabelo todo quebrado e caindo muito… Passou ser ainda mais caro alisar e não estava mais podendo pagar com a mesma frequência de antes. Junto com minha mãe (que deu a ideia), decidi parar de alisar e assumir minha textura capilar. Minha transição durou 7 meses. Eu iria esperar mais para cortar, mas estava ficando muito dificil lidar com as duas texturas capilares. A raiz era muito volumosa e o resto do cabelo muito fino. Fazem 7 meses que uso meu cabelo natural e muita coisa mudou desde que o cortei.

transição capilar

Foto 1: texturização durante a transição. Foto 2: big chop Foto 3: cabelo curtinho depois do BC

A partir do momento que me permiti ser como eu realmente sou, minha vida mudou completamente! Fiz meu big chop dia 19 de dezembro de 2015. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida. É simplesmente maravilhosa a sensação de se sentir livre! Não tem como descrever, faltam palavras. Deixei de ser uma garota triste para ser radiante, deixei de me importar com padrões de beleza, aprendi a me amar de verdade e a amar as pessoas pelo o que elas são sem
13599600_1542734822702242_1974802192_n (1)ficar me prendendo por aparências. Meus padrões de beleza mudaram completamente, me tornei uma pessoa extremamente feliz, não tenho mais medo de sair na chuva ou de correr e soar. Minha vida passou a ser mais alegre e alto astral. É claro que comentários maus apareceram nessa jornada, mas você não pode abaixar a cabeça e encarar isso como algo normal a que você tem que se sujeitar ou dar ouvidos, porque cada um tem a sua vida, cada um tem as suas escolhas, o seu jeito de ser feliz, e a sua felicidade é algo que você não pode deixar ninguém tirar de você!

Faço hidratações toda semana variando entre nutrição, hidratação e reconstrução. Como estou no ensino médio, minha rotina em época de prova é muito corrida, então nesses dias eu faço uma hidrataçãozinha rápida durante o banho mesmo. Para o meu cabelo é essencial lavar duas vezes a semana. Lavo na hora do almoço para que esteja seco a noite. Faço uma fitagem com dedoliss um pouquinho diferente (adaptada para o meu cabelo): invés de enrolar mechas pequenas, eu enrolo mechas com bastante cabelo e quando seca vou separando-as. Isso economiza bastante tempo e o resultado é lindo!

História enviada pela leitora Lirian Vaz para o Cacheia <3

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5 Comentários

  • Reply ana carolina 6 de julho de 2016 at 12:46

    OI, faz pouco tempo que acesso blog de vcs estou amando todos dias entro para ver as novidades
    estou a 3 meses em transição minha maior dificuldade e a raiz estou fazendo bigudinho para pode sai de casa mais da muito trabalho queria saber si posso intercalar escovando o cabelo ate fim da transição, quero fazer BC assim que raiz estiver maior.

    • Reply Maressa De Sousa 6 de julho de 2016 at 20:13

      Oi Ana! Tudo bem? Nós não costumamos recomendar que quem está voltando ao cabelo natural passe pela transição usando chapinha/secador. Nossas dicas para driblar as duas texturas se encontram nos links abaixo. Apesar disso, vocês tem todo livre arbítrio para fazê-lo, tá bom? Após os links separamos algumas dicas para quem deseja escovar/pranchar os fios durante a transição.

      Como lidar com as duas texturas do cabelo durante a transição capilar: http://bit.ly/28Kwrgn

      Como sobreviver à transição capilar: http://bit.ly/1qyhC4b

      Texturização SOS Transição: http://bit.ly/texturização-capilar

      Antes de fazer escova/prancha tenha em mente que o secador e a chapinha são fontes de calor que se usadas em excesso danificam a estrutura do fio. Então se for escovar/pranchar não se esqueça do protetor térmico :) Não se esqueça também que escovas e a prancha podem carregar resíduos de alisantes/progressivas/relaxantes e certifique-se de limpar bem esses objetos antes de usá-los. Aqui no blog, muitas meninas já relataram que foram até um salão para escovar o cabelo e acabaram com alguns cachos esticados mesmo depois de sucessivas lavagens.

      Se seu cabelo já se encontra muito danificado pela ação de produtos alisantes, relaxantes, progressivas, etc; talvez seja mais interessante cuidar dele e diminuir o uso da chapinha. Se realmente sentir a necessidade de escovar/pranchar tente deixar seus fios respirarem alguns dias da semana, tire um tempinho para hidratar/nutrir/reconstruir. Saiba mais em: http://bit.ly/cronograma-capilar

      Passar pela transição capilar sem escovar/pranchar sempre pode ser legal na medida em que você vai conseguir ver como seu cabelo é, acompanhar o processo de crescimento e inclusive se acostumar com o volume que é um tantinho diferente do cabelo alisado. Se você passar a transição inteira só de chapinha pode se sentir “estranha” com o cabelo natural. Se achar que isso não vai acontecer tudo bem, o importante é encarar a transição capilar da melhor maneira possível e sem sofrimentos.

  • Reply Ana Carolina 7 de julho de 2016 at 19:42

    Nossa, que história linda de auto aceitação! !! Adorei o post!

  • Reply Ingrid Carvalho 12 de julho de 2016 at 17:46

    Que história linda *-* queria muito que contassem a minha. Mas né… deixa pra lá…

    • Reply Ana Catarina 4 de agosto de 2016 at 10:25

      Oi Ingrid! Só mandar pra gente por e-mail :D

    Deixe um comentário!

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