Pessoal, Vegan

Por que decidi me tornar vegana?

25 de abril de 2016

No dia 8 de março, dia Internacional da Mulher, me tornei vegana. E como vocês são minhas amigas e amigos virtuais, decidi contar como foi o processo. Esse texto não é uma tentativa panfletária, nem um chamado à conversão para a Igreja Vegana. É um post jovem, sensual, bronzeado e não insistente. =)

Quero partilhar com vocês uma parte muito importante de mim que me é constitutiva: o veganismo e a luta por direitos animais.


 

Mas o que significa dizer que me tornei vegana?

E foi exatamente assim que eu nasci - Por que decidi me tornar vegana?

Segundo relatos, foi exatamente assim que eu nasci

Significa dizer que, daqui pra frente, quero existir provocando o mínimo de impactos para os animais. Por mais que me doa admitir isso, viver sem causar impactos aos animais, ao ambiente e aos humanos é impossível. No entanto, é possível diminui-lo.

A minha transição para a fase adulta foi muito marcada por diversas mudanças: a aceitação do meu cabelo natural e entrada no Cacheia, a mudança radical dos planos de vida e de curso, a entrada no curso de Ciências Sociais. Com tantas mudanças de pensamento acontecendo, eu passei a questionar absolutamente tudo. Inclusive minha relação com animais e com ambiente. Foi um processo longo de reflexão que não se deu da noite para o dia. Mas a partir do dia 8 de março decidi que me tornaria completamente vegana.

Em suma: decidi parar de comer carnes, ovos, leite e mel. Parei de comprar tecidos animais, como couros e produtos da seda. Também procuro usar cosméticos não testados, que não possuam queratinas e colágenos animais, entre outros componentes. Não financio eventos com crueldade animal, como rodeios e touradas, ou turismo com animais (nado com golfinhos, sea world com baleias, entre muitos outros).

Basicamente, a partir do veganismo, eu passei a ter consciência sobre as consequências e movimentos que eu causo ao viver e existir nesse mundão. Eu já era vegetariana há dois anos, então por que não virar vegana logo, não é mesmo?

Eu decidi fazê-lo no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. É uma data simbólica, pois assim eu traço vínculos entre duas das minhas maiores lutas: feminismo e direitos animais.


 

Qual a diferença entre veganismo e vegetarianismo?

Gráfico da diferença entre veganos e vegetarianos

O veganismo é uma postura ética baseada na ideia de que animais têm direitos políticos e de que humanos não podem violentá-los para utilização em comida, cosméticos, roupas, trabalho, testes, entre outros. Os bichinhos merecem viver suas vidas próprias, sem que sofram nenhum tipo de exploração humana.

O veganismo é radicalmente contra o especismo, que é a ideologia que coloca algumas espécies como superiores a outras.

Essa mentalidade de que o mundo gira ao redor de nós, humanos, levou à destruição do meio-ambiente, à exploração de animais, e é o que causa a exploração também de outros humanos.

Já o vegetarianismo consiste na eliminação parcial ou total derivados animais da dieta. Ovolactovegetarianos consomem leite e ovos, enquanto vegetarianos estritos eliminam todos os derivados. É importante notar que peixes e frangos também são animais, então uma pessoa que consuma esses itens não pode ser vegetariana.

 


 

Aposto que você é uma hippie naturebista que se alimenta de alface…

Uma típica naturebista: em uma mão, uma alface, em outra mão, a paz e o amor - Por que decidi me tornar vegana?

Flagra de uma típica naturebista: em uma mão, uma alface, em outra mão, a paz e o amor

Por mais que eu adore o estilo de vida naturebista, eu gosto também de um bom hambúrguer e de um bom produto industrializado para o cabelo. O que é bem possível de se conseguir sendo vegana. Eba! Inclusive, preciso contar algo babadeiro para vocês: nesse último sábado comi um delicioso hambúrguer com, pasmem: milk shake de paçoca com chantilly. Tudo vegano. Minhas lombrigas ficam felizes só de lembrar. (Pra quem é de BH, comi nos Las Chicas).

Eu também tenho meus dias de naturebista, em que me alimento exclusivamente de maneira crudívora, e tenho meus dias ogrinha, em que como macarrão, muito molho e batata. Eu encaro o veganismo como “fazer o possível pelos animais, no lugar que eu estou, com as condições materiais que tenho”. O que isso significa?

  1. O veganismo só é possível a partir das informações que tenho acesso. Ou seja, não sempre dá pra saber informações sobre todas as empresas do mundo, terceirizados, produtos e insumos que chegam até nós. Paciência. Fazemos o que dá.
  2. O veganismo é possível a partir do dinheiro que tenho disponível. Se eu não tenho dinheiro para comprar uma salsicha de soja cara, vou investir em chuchu, berinjela e abobrinha pra acompanhar lindamente meu arroz e feijão de todo dia. Na pior das hipóteses, utilizo algum produto com animais enquanto não achar substitutos. Por exemplo, ainda não consegui encontrar uma tinta vegana acessível, então estou sem pintar meu cabelo há mil anos. Ainda tenho o resto de tinta que comprei antes de me tornar vegana, mas não tenho dinheiro para comprar a importada.
  3. O veganismo é possível desde que não comprometa sua vida. Não existem remédios veganos e eu faço o possível para evitá-los. No entanto, se estiver em algum contexto que precise deles para não ficar doente, ou mesmo não morrer, tomarei os remédios.
  4. O veganismo é adaptável à realidade local. Ou seja, se estou em BH, Minas Gerais, Brasil, farei o possível para me alimentar de forma local. O melaço de cana, substituto para açúcar e mel, por exemplo, eu trago da roça, com excelente qualidade e preço. Eu utilizo abacates e outros ingredientes fáceis de encontrar para receitas caseiras. Se você mora em São Paulo, provavelmente terá mais facilidade de encontrar cogumelos e outros produtos orientais, como missô e tofu. Se você vive em algum país árabe, muito provavelmente terá óleo e pasta de gergelim disponíveis. O veganismo é lindamente adaptável à sua realidade local.

 

Desmistificando mitos:

#1: Veganos são pessoas ricas que têm condição de comprar iogurte de soja e produtos caros

Não necessariamente.

Eu não tenho dinheiro para iogurtes de soja e linguiças industrializadas veganas. Não tenho dinheiro para comer fora sempre. Não tenho dinheiro para pagar para que alguém cozinhe pra mim. E nem o faria se tivesse. Não tenho dinheiro para Keune, ou marcas caras. Eu uso yamasterol amarelo como creme de pentear com óleo vegetal.

No entanto, apesar de tudo, eu tenho acesso a um restaurante universitário onde posso almoçar com relativa qualidade. Também tenho tempo (rs) para cozinhar o meu próprio alimento.  Tenho acesso à internet onde posso pesquisar produtos e componentes liberados. Obviamente, são privilégios. Tendo esses privilégios em mão, faço o máximo possível deles. Se você está lendo esse post, posso presumir que você tem acesso a internet e a informação chega até você. Provavelmente, você já comeu hoje. O que você poderia fazer com esses privilégios?

Se você gostaria de conhecer possibilidades não-ricas do veganismo, recomendo o instagram Vegana Pobre e o grupo do facebook Veganismo Popular.

#2: Plantas também sofrem

Plantas não possuem sistema nervoso e não são capazes de sentir dor.

No entanto, se assumirmos que plantas sentem dor, ainda sim um estilo vegano de vida seria o mais indicado para quem quisesse evitar o sofrimento dos vegetais, uma vez que a produção de derivados animais exige uma quantidade absurda de produção de vegetais, como soja. O site vista-se já respondeu a este questionamento (sugiro ler comentários, inclusive =P)

#3: A dieta vegana é pobre em nutrientes

 

É possível ser saudável sendo vegano? - Por que decidi me tornar vegana?

A combinação de vegetais diferentes garante ao organismo os aminoácidos essenciais, que são aqueles aminoácidos que o corpo não produz naturalmente. Uma mistura de qualquer cereal (milho, arroz, arroz integral, trigo) e leguminosa (grão de bico, feijão, lentilha, ervilha) já garante todos esses aminoácidos. Fora as oleaginosas, vegetais verde-escuros como couve e espinafre que também dão um up legal nas proteínas. Além isso, na alimentação vegetal não há colesterol, que é algo exclusivamente animal. A dieta vegana é também naturalmente rica em fibras. O ferro quando associado à vitamina C é melhor absorvido. Uma laranja após almoço com feijão já é perfeito para fazer com que o ferro seja absorvido.

E ao contrário do que imaginamos, o leite não é bom repositor de cálcio. Mas já existe post no papacapim explicando isso melhor do que eu. =)


 

O que uma pessoa não vegana pode fazer para diminuir impactos?

Você não precisa aderir ao veganismo para tornar sua existência mais consciente acerca dos impactos causados no planeta, animais e nas pessoas. Você pode fazer alguma dessas (ou várias!) coisas que são simples, fáceis e práticas.

#1: Procure produtos não testados em animais

Nós já falamos no blog sobre testes em animais. É absurdo que essa prática continue acontecendo de modo recorrente, especialmente porque já existem tantas outras alternativas. A nossa principal saída é o boicote.

#2: Segunda-feira sem carne

Escolha um dia da semana (ou mais se quiser) para não comer carne. A redução já é considerável :)

#3: Faça receitas caseiras veganas eventualmente

Por que decidi me tornar vegana

Nada melhor que uma xícara recheada de nuggets veganos

Você pode aproveitar o tempo livre de finais de semana e feriados para aprender receitas veganas. Você pode levar para casa de amigos e vizinhos, para festas e confraternizações de trabalho e faculdade.

Ainda, se você não aprendeu a cozinhar, pode começar a aprender sem crueldade, com receitas veganas.

Eu recomendo os sites Tempero Alternativo e Presunto Vegetariano.

#5 Fortaleça marcas, estabelecimentos e lojas com produtos veganos e ecológicos

Procure financiar empresas e lojas veganas. Antes de comprar algo, cultive o hábito de fazer pesquisas sobre o histórico das marcas. Para completar, você ainda pode buscar empresas e marcas que não financiem trabalho escravo. Se você conseguir encontrar empreendimentos locais, em que mulheres e lgbts são proprietárias, melhor ainda!

 


 

Dicas de sites, grupos e blogs veganos

 

 

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4 Comentários

  • Reply Lia 30 de abril de 2016 at 22:02

    oi sou vegetariana,to pensando em me torna vegana,algumas dicas?,qual B12 vc toma?

    • Reply Raysa França 1 de maio de 2016 at 11:13

      ei gata, venha pro lado vegan da força! haha Então, eu ainda não suplemento B12! Mas as quantidades indicadas estão aqui: http://www.mudaomundo.org/nutricao/vit_b12/recomendacoes
      Existem muitas opções de B12 no mercado bem baratinhas, só precisa olhar se são envolvidas com gelatina.

      beijin

  • Reply Thays 5 de maio de 2016 at 23:44

    Sou vegetariana. Já conhecia o Presunto Vegetariano, mas conheci o Tempero Alternativo por causa do seu post. Agora ambos estão na minha lista de favoritos <3

    • Reply Raysa França 7 de maio de 2016 at 09:58

      O TemperoAlternativo é muito legal, Thays! E em breve eu vou fazer o meu também e vai chamar CozinhadaRay (gosto tanto de cozinhar quanto gosto de cabelos haha) beijocas

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