Dandara dos Palmares e as lideranças negras femininas no Brasil

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A produção de conhecimento não é neutra e muito menos desinteressada. Por muito tempo (e ainda hoje?) a participação das mulheres na história brasileira foi esquecida. Por isso, no mês da Consciência Negra, queremos falar das figuras femininas que fizeram parte da luta contra a escravidão no Brasil. Voltamos ao período colonial para não deixar esquecer que o Brasil foi o último país da América Latina a abolir a escravidão e que essa liberdade custou sangue, suor e muitos anos de luta. Libertação que não garantiu a integração dos negros à sociedade, que ao contrário, reservou-os o lugar da subalternidade, dos empregos precários, a ausência de propriedade, o preconceito e a falta de acesso à educação.

  • 1710: Destruição do Quilombo de Palmares
  • 1835: Revolta do Malês (Bahia)
  • 1835-1840: Cabanagem (Pará)
  • 1838-1841: Balaiada (Maranhão)
  • 1850: Lei Eusébio de Queiróz (Proibição do tráfico de escravos)
  • 1871: Lei do Ventre Livre (Proibição da escravidão de crianças nascidas após a lei)
  • 1885: Lei dos Sexagenários: (Proibição das escravidão dos idosos)
  • 1888: Lei áurea (Proibição da escravidão no Brasil)
  • A história continua…

Nas próximas postagens vamos resgatar a história do feminismo negro no Brasil. O desafio de hoje é dar o pontapé inicial, para tentar apresentar para aqueles(as) que não conhecem, a força de Dandara dos Palmares. A tarefa no entanto, não é nada fácil. Bastam alguns minutos de pesquisa no Scholar Google para perceber que não existem trabalhos (de monografia, dissertação ou tese) que tratam da biografia de Dandara.

Existem poucas informações sobre sua origem, se nasceu ou não no Brasil. Mulher negra, guerreira, e esposa de Zumbi dos Palmares, Dandara dos Palmares dominava a capoeira e participou de muitas batalhas no Quilombo dos Palmares. Palmares foi fundado no século XVII sob a liderança de Ganga Zumba, filho da princesa Aqualtune. Zumbi assume Palmares em sua fase final. Dandara teria contribuído para a organização de diversas atividades no Quilombo e resistido bravamente ao ataque de bandeirantes e sertanistas. Dandara foi mãe, caçava e participava das atividades de cultivo. A morte de Dandara teria ocorrido em 1694, quando ela se jogou de um abismo, como último meio de resistir e não se entregar às forças militares.

A contribuição da princesa Aqualtune também é pouco lembrada. Aqualtune era uma princesa africana que comandou em 1665 dez mil homens do exército no combate contra a invasão de seu reino no Congo. Após a derrota, ela foi trazida para o Brasil como escrava para reprodução. Grávida e em busca de liberdade fugiu para Palmares, onde seus conhecimentos sobre política, organização e estratégias de guerra foram fundamentais para a consolidação da República dos Palmares. Aqualtune foi mãe de Ganga Zumba, primeira liderança do Quilombo de Palmares e avó de Zumbi, uma de suas maiores lideranças.

Tereza de Benguela é outra personagem de luta importante no século XVIII. Guerreira do quilombo de Quariterê no Mato Grosso, Tereza de Benguela assumiu o quilombo após a morte do companheiro e governou-o de modo parlamentar, coordenando seu sistema de defesa e estrutura econômica.

Luísa Mahin foi a mãe do escritor Luís Gama e era praticante da religião islâmica. Luísa Mahin foi escrava e ganhou sua alforria em 1812, tornando-se quituteira. Seu filho foi vendido ilegalmente como escravo aos 10 anos. Luísa participou das revoltas contra a Província da Bahia no século XIX. Através do tabuleiro de quitutes, ela escondia e transmitia mensagens em árabe. Luísa envolveu-se na Revolta do Malês e também na Sabinada.

No Alagoas Dandara dos Palmares, no Mato Grosso Tereza de Benguela, na Bahia Luísa Mahin, no Ceará Preta Simoa: escrava liberta, Preta Simoa participou lado do marido José Luiz Napoleão a Greve dos Jangadeiros em 1881, que impediu o transporte de escravos nas jangadas e que teve papel importante para a abolição da escravatura no Ceará mais tarde, em 1884. Tanto ela quanto o marido são pouco lembrados.

É lamentável que essas trajetórias não ganhem destaque afinal de contas, memória e representação importam. Que as mulheres negras saibam desse passado de luta e que crianças e adolescentes descubram que grandes figuras negras fizeram parte da nossa história. Que nesse 20 de Novembro, possamos lembrar do aniversário de morte de Zumbi de Palmares, que inspirou o nascimento da data, e lembrar também de Dandara e de tantas outras mulheres que participaram da construção da história brasileira.

Bibliografia:

Unisinos 

Portal Geledés

Portal Geledés

Wikipédia 

Wipédia

Mota, Myriam Brecho. História: das cavernas ao terceiro milênio. São Paulo, Moderna, 2005.

Maressa De Sousa

Maressa, 23 anos, baiana. Mestranda em Antropologia. Ama filmes e livros de ficção e aventura. Para ela, a transição capilar marcou o início de muitas outras transformações.







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Comentários

Opa! Graduanda em Ciências Sociais ? Cola mais miga rs que maravilha !! Js é difícil ver mulher nas ciências sociais . Pretas e cientistas sociais : Vamo srrasar , apenas . Ótimo texto , es alunes vão adorar . Abraços rs
Ps: Cola na anecs .

Oi Alice! Estamos aí <3 Pode deixar que vou pesquisara melhor sobre a Anecs! :D Às vezes eu faço tanta atividade que deixo coisas importantes passarem :(

Maressa,
Já fui estudante de ciências sociais e sei que nem mesmo no círculo acadêmico estes nomes são lembrados com a sua devida importância.
E apesar da pele clara tenho o sangue dos negros correndo aqui em minhas veias.
Por isso me sinto negra, brasileira e orgulhosa desta história de luta do nosso povo.
Obrigada pelo post! Ficou sensacional!
Abraço
Mirian

Agradeço muito pelo carinho Mirian! Fico feliz com o retorno positivo :)

Muito bom ,vocês poderiam fazer mais post sobre essas pessoas que ajudaram a mudar a nossa historia , nas escolas é muito ensinado que o negro era ser calmo e quieto que não se revoltam quanto sua escravidão .

Vamos continuar fazendo sim Priscila! Muito obrigada pelo comentário e pelo incentivo :)


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