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3 documentários que toda crespa/cacheada precisa ver

21 de agosto de 2014

Esses dias me deparei com uma matéria no site O Globo, que trazia logo de cara um título que dizia assim:” Para desespero dos cabeleireiros, cachinhos de David Luiz viram moda entre brasileiros”. Em seguida, um cabeleireiro diz que teria prejuízos, pois os alisamentos iriam diminuir consideravelmente.

Aparentemente, parece uma matéria qualquer, sobre como a estética midiática influencia as pessoas. Mas se paramos para pensar, percebemos que durante muito tempo, temos nos contagiado pela padronização de uma beleza estereotipada que nos é imposta de uma forma nada sutil. (Como falei do post Cabelo cacheado, identidade ou modinha?)

Ser negro e ter “cabelo duro” não é feio. Mas a sociedade diz que sim. É por isso que precisamos estar cientes da importância da aceitação da raça negra num todo; seja na mistura das cores de pele ou nos diferentes tipos de cabelo.

A mídia é ditadora de moda, padrões e costumes? Claro que sim!  Mas se por um lado ela nos bombardeia para que sejamos consumidores de uma estética que nos escraviza, por outro, existem  pessoas preocupadas em revolucionar essa ditadura social, e a resgatar a identidade e as  raízes que aos poucos tem sido esquecidas por nós. Gerando discussões, e levando as pessoas a conscientizarem-se da importância de se combater o preconceito desde cedo.

São pessoas que utilizam dos recursos midiáticos e das redes sociais para propagarem o discurso do cabelo cacheado como ato político, que nós aqui do cacheia apoiamos e incentivamos. Os 3 documentários abaixo falam  sobre a dificuldade de se ter cabelo crespo ou cacheado, a relação das mulheres com seus cabelos e o preconceito sofrido quando se resolve aceitar o cabelo natural. Além disso, abordam uma questão muito importante; o cabelo como evidência e característica da identidade negra e a luta contra o preconceito racial (Veja aqui o que uma coisa tem a ver com a outra.).

Você está satisfeita com seu cabelo? Por que? Em que a sociedade e a mídia tem contribuído para que milhares de mulheres se sintam frustradas com sua aparência? Existe uma forma de mudar isso? São questões fortemente abordadas nos documentários a seguir. Vale a pena assistir!

O lado de cima da cabeça

Naira Soares, 21. Estudante de Comunicação Social - RTV. Produziu e dirigiu o documentário "O lado de cima da cabeça."

Naira Soares, 21. Estudante de Comunicação Social – RTV. Produziu e dirigiu o documentário “O lado de cima da cabeça.”

Não é porque a diretora desse documentário é uma super amiga minha que ele merece um respaldo especial, mas porque conhecendo-a da forma como conheço, sei o quanto ela vem lutando para combater os diferentes tipos de preconceitos, quer sejam raciais ou não. O que me faz admira-la, é que ela é do tipo de pessoa que age, que bate de frente e faz questão de mostrar a sua opinião, e isso faz uma diferença e tanto.

Apesar de cursarmos Comunicação Social na UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz), nunca tínhamos nos esbarrado antes. Nos conhecemos através do grupo Cacheadas em Transição e a partir daí, nos entendemos direitinho. Tanto ela como eu, sabemos a responsabilidade que nós, estudantes e futuros profissionais de comunicação temos em nossas mãos. Os meios de comunicação influenciam bastante as pessoas, e isso é uma coisa muita séria. É por isso que admiro pessoas que assim como ela, entendem que o conhecimento deve ser usados de forma sábia.

Depois de conhece-la como fotógrafa, me encantei pela direção do documentário, que de fato foi feito de forma realista e crítica. A forma natural com que ela lidou com o tema faz a gente assistir com prazer, nos levando a entender o que se passa na cabeça de muitas pessoas que assim como nós decidiram assumir o cabelo do jeito que é.

 

Raiz forte

A web série Raiz Forte, produzida e dirigida por Charlene Bicalho, é divida em 3 episódios, que retratam diferentes fases na vida da mulher; a infância, a adolescência e a vida adulta. Ao longo dos episódios, é retratada as dificuldades de se assumir o cabelo crespo e o preconceito enfrentado pelas mulheres negras.

Na infância, é onde construímos nossos princípios e desenvolvemos nossos conceitos, como é abordado na categoria Cacho de Criança, aqui no blog. É nessa fase que devemos incentivar os pequeninos a aceitarem suas características, identidade e raízes. Para que possam desenvolver auto-confiança ao lidarem com o convívio social.

Depois disso, a dificuldade continua durante a adolescência, uma fase onde a maioria das meninas sentem uma pressão maior para serem aceitas.

“Com 18 anos eu comecei a namorar com um rapaz, e ele não admitia cabelo crespo. Era a condição de estar com o cabelo liso!”

A frase dita no segundo episódio do documentário, prova que é na fase da juventude que a maioria das pessoas sentem a necessidade de se enquadrarem, deixando a auto-estima de lado e tornando-se vítimas da padronização da estética.

E no terceiro episódio, é mostrado experiências de mulheres e seus cabelos de “Raiz forte”  já na fase adulta. Uma fase onde as experiências vivenciadas ao longo da vida, podem servir de incentivo para que nos tornemos pessoas capazes de nos valorizar, reconhecendo quem somos e de onde viemos.

“Mas eu não vou deixar ninguém perceber que eu me sinto mal porque as pessoas me dizem que eu sou feia. Eu posso ser feia mas eu sou forte, eu posso ser feia mais eu sou inteligente. Minha identidade, significa que eu sei da onde que eu vim…”

É um ótimo documentário e que nos leva a refletir sobre nosso valor como mulher negra, com cabelos de “RAIZ FORTE“.

 

Espelho, espelho meu

O documentário Espelho, espelho meu; produzido por Elton Martins, fala sobre a estética negra e também sobre a valorização do cabelo afro.

“Através de depoimentos, o documentário “Espelho, espelho meu”, produzido por Elton Martins, aborda representações afro-estéticas no período juvenil. Mães, crianças e adolescentes: todos falam um pouco de suas experiências com os seus cabelos e sobre suas escolhas pessoais. Além disso, o vídeo conta com a participação do historiador Antônio Cosme que norteia o tema ao destrinchar o processo de construção de identidade. “

Através do documentário, somos levados a pensar como nós, negros e afrodescendentes nos vemos de frente ao espelho.

É isso aí cacheia! Assistam com carinho. Espero que tenham gostado. Beijinho :*

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12 Comentários

  • Reply Daya 3 de dezembro de 2014 at 13:51

    Ameiiiiiiiiiiiii os videos não parei de assistir!!!
    O como assumir os cachos tem muito a ver com a sua liberdade de expressão, com a busca pela sua identidade. Grata pelos lindos vídeos!!!

    • Reply Ster Nascimento 11 de dezembro de 2014 at 23:18

      Ain Daya, eu também sou apaixonada por eles. Fico feliz que tenha gostado. Beijo :*

  • Reply Camila Almeida 25 de janeiro de 2015 at 13:47

    Essa série me descreve, é de suma importância. Estou passando por essa transição, está sendo complicado, justamente por causa da enorme pressão da sociedade. Esse documentário me fez entender que não importa o que outros pensam, eu tenho que assumir minha identidade. Há muito tempo estive sendo ‘escravizada’ pela onda da progressiva, selagem e alisamentos em geral. Sofri com os efeitos colaterais, me bateu um enorme arrependimento. Tudo por quê?! Porque ter cabelo cacheado, volumoso, crespo é considerado feio. Já passei por várias experiências terríveis, uma das últimas foi que quando cheguei a um salão pra fazer a bendita escova me deparei com um rapaz branco, loiro e com cabelo “bom” que com a mais ousadia me chamou de “olha, a menina do cabelo duro chegou”. Não vou dizer que não me importo, isso machuca. Mas, me dá coragem e também força pra mostrar pra esse alguém preconceituoso que eu tenho personalidade, eu tenho ousadia e inteligência pra ultrapassar com louvor todas as ofensas à minha aparência sendo eu mesma, deixando de lado toda imposição, fazendo minha mudança radical. Posso dizer orgulhosa que estou conseguindo a cada dia uma vitória, estou me redescobrindo, estou restaurando minha auto estima. Não existe feio, bonito, bom, ou ruim, existe você, eu, nós, somos únicas e precisamos ser autênticas e felizes acima de tudo!
    Obrigada pelo espaço, amei!

    • Reply Ster Nascimento 27 de janeiro de 2015 at 03:03

      Oi Camila Almeida. Infelizmente a sociedade massacra diariamente quem não se enquadra. Mas abaixar a cabeça e deixar isso acontecer, não ajuda ninguém. Por isso, essa foi a melhor escolha que você poderia ter feito. De erguer a sua cabeça e mostrar que o que é, esta acima de qualquer padrão. Continue com esse pensamento. Força, muita força nessa face chatinha que é a transição. O cacheia estará sempre de portas abertas. Beijo :*

  • Reply Dani Chagas 30 de janeiro de 2015 at 08:38

    Quero vê todossss!!!! Vou assistir e volto aqui pra contar!!!

  • Reply Valdenice Messias Alves 10 de março de 2015 at 12:48

    Sempre achei cabelo crespo bonito, mas nunca tive coragem de assumir o meu. Agora, com a segunda gestação, fiquei um tempo sem alisamento.Meu cabelo, aos poucos, está voltando a ser o que é de fato, pra ser sincera, foi difícil no começo, mas agora estou amando! Me sinto mais eu agora, mais livre, mais solta, mais feliz. É como se gritasse para o mundo: sou bonita de qualquer jeito!

    • Reply Ster Nascimento 11 de março de 2015 at 10:43

      Aii, que bom Valdenice. Fico feliz que você tem encontrado sua identidade ao assumir e gostar do seu cabelo do jeito que ele é. Continue assim, e não desista de ser você mesma.

  • Reply Mel 25 de março de 2015 at 14:33

    Que coisa fofa meninas *_*
    Assisti todos :)

    • Reply Mel 25 de março de 2015 at 14:38

      Ahh , alguém pode me dizer onde eu acho essa musica linda do documentário da amiga da Ster?
      Pirei nela , mas não encontrei :(

      • Reply Ster Nascimento 30 de março de 2015 at 19:27

        Mel, eu não dizer. Mas vou perguntar pra Naira e já te respondo. ^^

  • Reply Irla 23 de julho de 2015 at 00:29

    Amei os vídeos *_*
    Ah… e tenho mais um ótimo: Good Hair produzido pelo Chris Rock. O documentário é maravilhoso, tanto que foi a partir dele que comecei a pesquisar no youtube sobre assunto e iniciar meu processo de transição.

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