Cabelos Crespos e Cacheados Transição Capilar

Existe alguma forma segura de fazer “escovas progressivas”?

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É muito difícil achar artigos honestos na internet sobre as escovas progressivas. Normalmente, as informações atendem aos interesses de uma indústria em crescimento que, até o momento, preocupou-se muito pouco com a saúde das clientes e dos clientes. Então, vou falar aqui sobre o que são, de onde vieram, de que são feitas e, o mais importante, qual o risco que essas escovas apresentam à saúde.


História dos Alisamentos

Sentem porque lá vem história. Antes de existirem progressivas, os cabelinhos eram alisados com químicas de transformação. Essas químicas antigas, também chamadas de relaxamento, são os hidróxidos e tioglicolato de amônia, que agem no córtex do fio. Imaginem uma cirurgia, em que os fios de cabelo são um corpo humano. Essas químicas tirariam todos os ossos e trocariam por novos. Dá pra imaginar que é muito agressivo, né? Além disso, a maior parte desses alisamentos não são compatíveis com descolorações e tinturas.

Além dos alisamentos, existia o henê amazônico. O problema dele é que não era compatível com nenhuma química além dele próprio, e ainda escurecia o cabelo. Como alisamentos exigem muita técnica, e não eram atrativos pelo caráter definitivo, surgiram as progressivas. O que as progressivas fazem é “encobrir” o cabelo, dando uma forma lisa pra ele. É uma maquiagem que não atua no cortex. A progressiva cria uma camada de formol, de “falso cuidado”. A vantagem da progressiva frente aos alisamentos, além de ser temporária no início, era a de que se você cansasse do liso, poderia lavar e ter cachos. Eu acreditei nisso durante três anos, até que, de repente, meu cabelo foi alisado permanentemente.

Durante três anos, eu gostava como meu cabelo ficava com progressiva. Até que, de repente, alisou totalmente

Escovas progressivas: a química da “maquiagem”

Quando as escovas progressivas surgiram, foi um estouro. Não sei quem teve a bendita ideia de misturar formol + queratina, mas aparentemente, funcionava. O esquema da progressiva é muito simples: o composto químico, no caso formol, “encapava” o fio, e quando submetido ao calor, ficava com a forma que o cabeleireiro deixava. Quando mais bem escovado o cabelo era no processo, melhor o resultado. Por isso que eu chamo progressiva de química da maquiagem, porque o produto vai encapando o fio, criando uma falsa ideia de tratamento. No início, as composições tinham menos formol, mas com o passar do tempo, elas foram aumentando. Casos de mulheres que morreram surgiram, e o formol, de repente, ficou perigoso apesar de todos os “benefícios” estéticos. Surgiram então alternativas mais perigosas, que eu vou explicar adiante. Essas alternativas foram camufladas sobre nomes “bonitinhos”, que são:

– Escova Marroquina, Indiana, Russa (coloque aqui a nacionalidade que quiser)
– Escova Inteligente (de inteligente não tem nada)
– Escova Gradativa
– Escova de Morango, Chocolate, Vinho
– Escova de Carbocisteína
– Selagem (em alguns salões)
– Cauterização (em alguns salões)

 

Componentes da Fórmula

Existem, basicamente, três compostos que atuam nas escovas progressivas, que eu explicarei melhor separadamente.  Aminoácidos não alisam o cabelo. Carbocisteína não alisa o cabelo. Queratina não alisa o cabelo. O primeiro componente é o formol,
e o mais conhecido,  o segundo é o glutaral e o terceiro, mais recente, são os parabenos.

Formol

A ANVISA permite 0,02% de formol para fins de conservação. Qualquer quantidade que se encontra nesse limite, não é capaz de alisar o cabelo. Como a indústria de cosmético faz, então? Essas empresas registram na ANVISA com o grau 1 (que é classificação de xampus e condicionadores, não alisantes, ou seja, isso é MALANDRAGEM da pior espécie), ou pior, nem registram.

Pra vocês terem uma noção do risco do formol, cabeleireiros são considerados como prováveis cancerígenos pela Agência Nacional de Pesquisa em Câncer, pelo simples fato de trabalharem com tinturas, loções e produtos que tem a quantidade de formol permitida pela legislação. Então imagine, quando eles realizam esses procedimentos estéticos que envolvem uma quantidade de formol muito maior?

Olha o que a ANVISA diz sobre o formol: “O uso do formol como alisante capilar NÃO é permitido pela Anvisa, pois esse desvio de uso pode causar sérios danos ao usuário do produto e ao profissional que aplica o produto, tais como: irritação, coceira, queimadura, inchaço, descamação e vermelhidão do couro cabeludo, queda do cabelo, ardência e lacrimejamento dos olhos, falta de ar, tosse, dor de cabeça, ardência e coceira no nariz, devido ao contato direto com a pele ou com vapor. Várias exposições podem causar também boca amarga, dores de barriga, enjôos, vômitos, desmaios, feridas na boca, narina e olhos, e câncer nas vias aéreas superiores (nariz, faringe, laringe, traquéia e brônquios), podendo até levar a morte.” Mas, todo mundo já está careca de saber sobre o formol, então vamos ao glutaral.

Glutaral

O glutaral surgiu, especialmente, nas escovas inteligentes. Ao contrário do formol, ele tem a grande vantagem de não produzir um cheiro horrível de morte quando os fios estão sendo escovados. Já conhecem o ditado “onde há fogo, há fumaça?”. Não necessariamente, queridas e queridos. O glutaral não produz fumaça, mas pode ser até 10x mais tóxico que o formol. “Alguns dos efeitos imediatos são queimaduras no couro cabeludo, coceira, ardência ocular e até pneumonia química – queimadura no pulmão devido à inalação, que pode levar à morte. A longo prazo, pode causar câncer e alterações no sistema nervoso central.” (Créditos da informação)

Parabenos

Os parabenos são conservantes utilizados especialmente na indústria de cosméticos. Não há risco comprovado de câncer quando ele é utilizado em baixas porcentagens, porém, há muito debate. Ainda, não se sabe as consequências do uso de maneira exagerada, que é como acontece em progressivas que o utilizam como composto base. Em 2004, uma pesquisa relacionava os parabenos ao câncer de mama.  A ANVISA estabeleceu que o máximo de parabenos permitidos é o de 0,8% em cosméticos. Porcentagem que não alisa. Pessoalmente, eu não colocaria minha saúde em risco.

Progressiva não hidrata o cabelo

Essa é a maior balela que eu já ouvi, e acreditei durante tanto tempo. Nenhum ativo de progressivas pode hidratar o cabelo. Não caiam nessa história, porque é mito. E muito cuidado com progressivas “fracas”, selagens, cauterizações. Antes de fazê-las, certifique-se que não tenham nenhuma química, porque foi justamente assim que eu alisei meus cabelos e matei meus cachinhos.

Portanto, não existe progressiva segura

Desconfiem de todas as químicas de alisamento que não são de transformação. Não existe maneira segura. Para você saber se o alisamento é transformação, exija o composto químico que é base e pergunte se é necessária a neutralização. Se tiver que neutralizar, então é química de transformação. Se não tiver que neutralizar, é progressiva, ou pior, progressiva batizada. (Progressivas batizadas levam uma quantidade exorbitante dos princípios ativos, ou até produtos de relaxamento, que vão causar quebra pois não são neutralizados.). Essas informações que eu divulgo aqui não chegaram aos ouvidos de muitos cabeleireiros. Como eu disse, o mercado das escovas progressivas é muito lucrativo. Você pode até passar por chata, mas entre ser uma chata com pé na cova, eu prefiro ser uma chata com saúde.

Então, da próxima vez que for fazer química, pense três vezes antes de se submeter aos alisamentos. Pela sua saúde. Será que vale a pena ter cabelos lisos e câncer de pulmão? Será que vale a pena arriscar a ficar careca? Fica a reflexão.

Você não precisa passar por isso pra ser linda!

 

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